Lançamento do Livro: A VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: o olhar da psicologia Junguiana

Acaba de ser lançado mais um livro de grande interesse para a comunidade junguiana “A VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: o olhar da psicologia Junguiana”. Organizam esse livro Sandra Amorim e Marcelo Moreira Neumann. Sandra Amorim já vem de um percurso organizando trabalhos importantes como “A Psicologia Junguiana entra no Hospital” e ” Jung e Saúde – Temas Contemporâneos” ambos com a parceria de Fernanda Aprile.  Acredito que esse novo trabalho com Marcelo Neumann pode ser uma grande contribuição ao pensamento junguiano. Abaixo eu apresento os dados oferecidos pela editora.

Sumário:
– Resiliência e Trauma: Experiências de um trabalho com crianças e adolescentes na abordagem analítica. (Amana Perrucci Machado Comfort, Camila Parducci, Cassia Frankenthal Quinlan, Mariana Cancoro de Matos, Renata Alexopoulos)

-Violência em Estados Borderline (Marcelo Niel)

– O Olhar sobre a violência contra a pessoa idosa: Reflexões a partir do filme ” A balada de Narayama” ( Adriana Leopold)
– Violência Sexual à Luz do Mito de Persérfone: Contribuições da Mitanálise (Sandra Amorim)

– O Processo de Representar o corpo do Ego com novas Roupagens : Considerações sobre Vítimas de queimadura (Karina Toledo Souza Silva).

– Arte e Cultura X Conflito com a Lei: resquícios de violência(Ester de Souza Santos, Guilherme Scandiucci)

– As Filhas de Lilith: Reações frente à violência contra a mulher e o feminino arquetípico( Ana Lúcia Ramos Pandini; Raul Alves Barreto Lima)

-Violência Psiquica: o poder da palavra no processo de individuação (Renata Lang Stapani, Roberta Souza Mattos)

– Contratransferência e Violência ( Fabiana Haddad Kurbhi)

– Adicção e Violência emocional: o prazer que destrói (Karina Simão)

– Desenho-Lazer-Desenho: analise de desenhos de crianças abrigadas através da psicologia analítica (Tiago André Alves da Rocha)

– Bullying: Os descaminhos do herói ao ingressar na adolescência(Pedro Carvalho Santos)

– A Violência Emocional – Sutil, devastadora e Silenciosa (Anyara Menezes Lasheras)

-Contribuições Acadêmicas para estudos do trauma e violações dos direitos humanos com enfoque na psicologia analítica (Marcelo Moreira Neumann).

 

Compre no site da editora: http://goo.gl/fzPuIR

A VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: o olhar da psicologia Junguiana
Autor(es): Sandra Amorim – Marcelo Moreira Neumann (Orgs.)
ISBN: 978-85-444-0519-2
Editora: EDITORA CRV
Distribuidora: EDITORA CRV
Disponibilidade: 5 Dia(s)
Número de páginas: 270
Ano de Edição: 2015
Formato do Livro: 16×23
Número da Edição: 1

“Olhar o presente, dentro de uma determinada cultura, apoiando-se em uma teoria tão consistente como a que embasa esta obra é um ato intelectual ousado. Se a teoria proposta por Carl Gustav Jung se destinou, especialmente à intrincada técnica para integrar os diferentes estados da personalidade, buscando que o inconsciente pessoal e o coletivo se afinassem a fim de que fosse alcançado um estado de individuação, imagine a dificuldade em estender esta discussão para as realidades grupais vividas num país como o Brasil e suas formas particulares de violência.
É um livro de duras realidades, no qual a seriedade do escopo teórico se faz presente de maneira tão bem estruturada, que chega a derramar, sobre o leitor atento, expectativas e esperanças para árduas situações do cotidiano de mulheres, crianças, adolescentes e idosos em situação de violências de naturezas diversas.
Os autores colocam com clareza a mão, o fazer e o pensamento de psicólogos analistas que se dispuseram a penetrar estes meandros das dores humanas; portanto, se destaca pela descrição da experiência e nela reside seu valor humanista, ressaltado nas reflexões e propostas de ações, que os autores oferecem ao leitor”.

Autor(es)
MARCELO MOREIRA NEUMANN
Psicólogo, Formado pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo, 1992; Coordenador do CRAMI- Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD – de 1993 a 2003; Especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes, pelo LACRI-IPUSP- 1996; Mestre em Psicologia Social pela PUC-SP, 2002; Membro-fundador do Projeto Caminho de Volta – Busca de Crianças Desaparecidas da Faculdade de Medicina da USP e colaborador desde 2004; Doutor em Serviço Social pela PUC-SP pelo Núcleo da Criança e do Adolescente, 2010; Professor e Supervisor de Psicologia Jurídica e de Políticas Públicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2005; Pesquisador do IPUSP – Laboratório de Estudos sobre o Preconceito desde 2009; Supervisor de CREAS de vários municípios do Estado de São Paulo. 

SANDRA AMORIM
Psicóloga, Formada pela PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1989; Especialista em Psicologia Hospitalar pelo HC-FMUSP – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1991; Especialista em Psicoterapia Junguiana de Abordagem Corporal pela EPPA – Escola Paulista de Psicologia Avançada, 1992; Mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP-EPM – Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, 2006; Integrante da equipe multidisciplinar no ambulatório especializado na assistência a vítimas de violência sexual do CRSM – Hospital Pérola Byington, de 2006 a 2011; Professora no Curso de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2007; Psicóloga Clínica de orientação junguiana em consultório privado desde 1990.

Livro: Imagens do Inconsciente de Nise da Silveira

Prezados,

Depois de muitos anos de espera finalmente temos uma nova edição do livro “Imagens do Inconsciente” da Dra. Nise da Silveira. Editado pela Vozes, o livro está no valor de 99 reais. no site : http://migre.me/r72p4 

abaixo seguem as informações da Vozes:

Imagens do Inconsciente
Nise da Silveira

Imagens do Inconsciente traz dados reunidos através de muitos anos de experiência vivida no hospital psiquiátrico pela autora Nise da Silveira. Neste trabalho ela não se inspirou na psiquiatria caracterizada pela escassa atenção que concede aos fenômenos intrapsíquicos em curso durante a psicose. Ao contrário, o interesse maior foi o de penetrar, pouco que fosse, no mundo interno do esquizofrênico.

Através da observação do exercício livre de atividades diversas numa seção de terapêutica ocupacional, Nise chegou empiricamente à confirmação do conceito minoritário de que o mundo interno do esquizofrênico encerra insuspeitas riquezas e as conserva mesmo depois de muitos anos de doença. As atividades da pintura e da modelagem, especialmente, tornavam menos difícil o acesso aos conteúdos do inconsciente permitindo que o processo psicótico, por assim dizer, se tornasse visível no seu desdobramento.

O instrumento de trabalho utilizado foi principalmente à psicologia junguiana que, segundo a autora, abre rotas para distantes circunavegações pelos estratos mais profundos da psique.

Código ISBN: 9788532649850

Formato: 16,0×23,0 cm
Acabamento: Brochura

Peso: 0,461 kg
Número páginas: 336
1ª edição
Ano de lançamento: 2015

99 reais

Lançamento: Livros de Karl Kerényi

Compartilho com vocês uma novidade. A Editora Vozes está lançando 3 livros de Karl Kerényi! Indispensáveis para o estudo de mitologia grega! Seguem os livros  com os dados da editora!

 

Arquétipos da Religião Grega
Karl Kerényi

Formato: 16,0×23,0 cm
Acabamento: Brochura
Peso: 0,490 kg
Número páginas: 360
1ª edição
Ano de lançamento: 2015

VALOR: 85 Reais

Esta obra traz, pela primeira vez publicados juntos, os estudos há muito esgotados sobre Asclépio, Hermes, os Cabiros e Prometeu. O autor expõe em seus Arquétipos quatro cultos e mitos para iluminar a particularidade histórica da religião grega. Ele nos leva aos lugares de culto de Asclépio, o deus da cura, segue as pegadas do ousado-astuto Hermes, fornece uma visão sobre os mistérios intrigantes dos Cabiros com seus ritos secretos e faz ressurgir a figura contraditória do Titã Prometeu.

A Mitologia dos Gregos  Vol. I
A história dos deuses e dos homens
Karl Kerényi

Formato: 16,0×23,0 cm
Acabamento: Brochura
Peso: 0,536 kg
Número páginas: 400
1ª edição
Ano de lançamento: 2015

Valor : 93 Reais

Imagine o leitor que está fazendo uma visita a uma ilha e encontra um grego culto que lhe revela, de viva voz, a mitologia de seus antepassados. Pois é assim que o professor K. Kerényi, com desenvoltura e espontaneidade, nos leva a conhecer a genealogia dos deuses, os Titãs, Afrodite, Zeus, Apolo, Hermes, Pã, os mistérios de Dioniso etc., num trabalho gigantesco de interpretação e reconstrução de toda a mitologia grega.

Mitologia dos Gregos (A) Vol. II

A Mitologia dos Gregos Vol. II
A história dos heróis
Karl Kerényi

Formato: 16,0×23,0 cm
Acabamento: Brochura
Peso: 0,736 kg
Número páginas: 560
1ª edição
Ano de lançamento: 2015

Valor : 99 Reais

Em A mitologia dos gregos Vol. II – A história dos heróis, a imagem dos semideuses humanos nos é mostrada sem disfarces. Nascidos dos romances entre seres divinos e humanos, eles se transformaram em modelos para os antigos: até hoje seus nomes estão ligados aos acontecimentos da história clássica. A Guerra de Tróia, a Odisséia, os Doze Trabalhos de Hércules ficaram na memória dos sobreviventes. Neste livro, segundo as palavras do autor, não é o mundo dos deuses, mas todo um mundo que será revelado.

O site para compras é o www.universovozes.com.br

A vozes poderia realmente rever sua politica de preços… realmente, os valores estão muito elevados.

Bem, espero que gostem da novidade!

abraços!

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail:fabriciomoraes@psicologiaanalitica.com.br/Twitter:@FabricioMoraes

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Epistemologia Junguiana : Algumas indicações de literatura

Não tenho dúvidas que epistemologia não é a matéria mais apreciada nos circulos junguianos. Contudo, ao longo das últimas décadas temos visto um aumento significativo trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e artigos) com o enfoque junguiano.  Dessa forma, torna-se necessário conhecer de forma mais clara e ampla a epistemologia junguiana, de forma que possamos apropriar do espaço que vem se configurando no meio acadêmico.

Pensando assim achei que seria interessante apresentar alguns dos livros que considero importantes no contexto da epistemologia junguiana – que se interessar de fato pelo tema, acredito que o conjunto oferece uma excelente possibilidade aprofundamento do tema. Penso que outros livros poderiam e podem ser indicados, mas, deixo aberto para que outras sugestões possam ser realizadas no comentários abaixo.

Em Busca de Jung – Indagações Históricas e Filosóficas

Autor : J.J.Clarke   Ano: 1993   Editora: Ediouro

Desta lista que aqui apresento o do Clarke é o livro mais antigo publicado no brasil, considerando que foi publicado originalmente em 1992,(e no ano seguinte no Brasil).

Clarke contextualiza Jung na história do pensamento científico e filosófico de sua época, amplicando a compreensão tanto o “pensador Jung” quanto da “teoria junguiana” no contexto do pensamento ocidental. Pode-se dizer que este seria um ponto de partida para estudar a epistemologia junguiana.

 

 

 


Questôes Filosóficas na Psicologia de C.G.Jung

Autora: Marilyn Nagy      Ano: 2003        Editora: Vozes

Este livro foi publicado originalmente em 1992. Aborda a psicologia junguiana de uma forma impar. A autora se propõe discutir em três niveis o pensamento de Jung: epistemológico, ontológico e teleológico. E o faz de forma fascinante. Na primeira parte onde discute a epistemologia de Jung, ela apresenta como Jung aborda a possibilidade do conhecimento e a origem do conhecimento – nos permitindo ter quase um “panorama da genealogia” do pensamento do Jung. Sobre o aspecto ontologico, pertencente a segunda parte, a autora nos leva a considerar desde onde o homem se constitui como homem – para tanto ela discute a dimensão do conceito de arquétipo e energia psiquica como eixo de analise. Na terceira parte ela discute a individuação e suas implicações teleológicas.  É um livro muito rico e denso.

  Jung e a Construção da Psicologia Moderna

Autora: Sonu Shamdasani      Ano: 2011 Editora: Idéias e Letras

Shamdasani é sem sombra de dúvidas o nome mais importante do contexto das idéias junguinas. Não é um teórico junguiano, mas, um profundo conhecedor do pensamento junguiano, editor dos seminários, do Livro Vermelho, com passe livre no conselho de Herdeiro de Jung. Neste livro foi publicado originalmente em 2003, Shamdasi propõe algo interessante, ele propõe uma compreensão do pensamento de junguiano, desde Jung, isto é, tomando partindo de Jung, mas, sem se perder em uma biografia. Ele nos dá um perfil de Jung como cientista e pensador. O acesso a biblioteca de Jung, possibilitou que Shamdasani tivesse uma visão diferenciada da perspectiva que Jung adotava. Posteriormente, Shamdasani publicou o livro “ Jung – Uma Biografia em Livros” onde traça um perfil do Jung a partir dos seus livros, isto é, da sua história pessoal contada pelo acervo que ele constituiu..

 

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  Epistemologia e Método na Psicologia de C.G.Jung

Autora: Eloísa M.D. Penna      Ano: 2013  Editora: Educ Fapesp

É dificil falar sobre este livro. É de uma amplitude e clareza inigualáveis. Este livro foi o resultado do mestrado da Prof. Eloísa Penna. Este livro possui uma linguagem clara, leve, objetiva que convida e conduz o leitor (sem qualquer sofrimeno) pela discussão epistemológica junguiana. A autora introduz uma perspectiva do contexto da epistemologia situando o leitor no campo que vai pisar, contextualiza o pensamento junguiano em suas raizes históricas, faz uma leitura interessante da cronologia do desenvolvimento do pensmento junguiano, abrindo caminho para a discussão própria da epistemologia, ontologia e metodo junguiano.

Sobre esse livro eu não diria que é um livro indispensável na biblioteca junguiana, mas, que é um livro que deveria ser de cabeceira.

 

 

  Psicopatologia, Teoria dos Complexos e Psicanálise

Autora: Heloisa Cardoso      Ano: 1993   Editora: Atheneu Cultura

Este livro é o primeiro volume de uma coleção de epistemologia junguiana que não foi concluida. A proposta da autora é fazer uma análise semiótica, com auxílio da análise de conteudo, obra de Jung,

Neste livro, como seria o primeiro da série, são analisados os primeros anos obra de Jung. Situando-o no contexto da psiquiatria e da psicopatologia que se desenvolvia.

Pensar Jung

  Pensar Jung

Autora: Marco Heleno Barreto  Ano: 2012  Editora: Paulus

Confesso que de todos os textos aqui indicados este é o unico livro que ainda não possuo. Sendo uma indicação do caro colega Roberto Burura. Deixo a sinopse que está no site da Paulus:

“O leitor encontrará nesta obra uma reunião de textos que abordam o pensamento do psicólogo Carl Gustav Jung a partir de uma perspectiva filosófica, visando ultrapassar o nível da apresentação das ideias do psicólogo suíço para fazer vir à luz algumas de suas ideias e articulações fundamentais. São analisados o estatuto epistêmico da Psicologia Analítica, sua relação com a sabedoria prática filosófica antiga, a dimensão ética essencial que a define, entre outros aspectos.”

 

imageArquivos Brasileiros de Psicologia – Carl Gustav Jung

Autora: Instituto de Psicologia UFRJ   Ano: 2001 Editora: Imago

Nesta edição dos Arquivos Brasileiro de Psicologia Especial Carl Gustav Jung reúne artigos de importantes pesquisadores junguianos, contemplando especialmente a discussões epistemológicas.

Por ser uma revista, a temática é variada.

 

 

 

 

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Mergulhando no Mar Sem Fundo – Fundamentos da Clínica Junguiana

Autora: Elizabeth Christina Cotta Mello Ano: 2007 Editora: AION

Este livro foi fruto monografia de conclusão do curso de formação de analistas junguianos da SBPA, feito pela autora. Tem a particularidade de buscar fundamentar a clinica junguiana em seu contexto epistemológico, é uma contribuição que amplifica a compreensão da teoria e da clínica  junguiana. É uma obra rica e extremamente importante para o clínico e o pesquisador clinico.

 

 

 

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Experiência do Símbolo no Pensamento de C.G.Jung

Autora: Maddi Damião Jr. Ano: 2007 Editora: AION

Este livro é parte da tese de doutorado do proferssor Maddi Damião Jr, Nesse trabalho o autor parte da dinâmica do símbolo e da função transcendente como elemento norteador da construção da teoria junguiana. Talvez, seria mais correto dizer que este não é um texto de epistemologia, mas, um texto epistemológico que possibilita a compreensão dos fundamentos junguianos a partir da fenomenologia hermeneutica.

 

 

 

 

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail: fabriciomoraes@psicologiaanalitica.com.br/Twitter:@FabricioMoraes

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LIVRO: “A Voz e o Tempo–Reflexões para Jovens Terapeutas”- de Roberto Gambini

(24 de novembro de 2011)

Em 2008, o analista junguiano Roberto Gambini publicou pela Ateliê Editorial, o livro “A Voz e o Tempo – Reflexões para jovens Terapeutas”. Este belíssimo livro ganhou o prêmio Jabuti de 2009 na categoria “Psicologia e Psicanálise”.

Este livro marcou a comemoração de 30 anos de Roberto Gambini como analista junguiano. Com uma generosidade infinita ele nos presenteou com uma jóia de valor incalculável , ele compartilhou de sua história e sua vivência como terapeuta.

Apesar de não ter o objetivo de ser teórico ou mesmo escrever um manual de psicoterapia, Gambini expõe delicadamente o que chamamos de processo de individuação mesmo sem se referir diretamente a esta conceito junguiano.

A partir de suas experiências pessoais, desde sua graduação e pós-graduação em ciências sociais, sua atividade docente até chegar ao Instituto C.G.Jung em Zurique.  Três pontos se destacam em sua obra, são eles: a identidade Junguiana; o papel dos sonhos na terapia e a questão da transferência.

Em suas páginas, Gambini demonstra sua preocupação sobre os caminhos que a psicologia junguiana vem tomando, muitas vezes, perdendo suas características. vejamos algumas de suas falas:

A Psicologia Junguiana tem uma marca de origem, que é o paradoxo de ser uma psicologia dificil de ser transmitida. Se você sistematiza demais a Psicologia Junguiana, trai o espirito do Jung; mas se não sistematiza, você não a difunde. É a marca de origem. Não há como fugir disso. Vejam, o que está acontecendo hoje pelo mundo afora é que a Psicologia Junguiana está perdendo as suas características de origem, está se deformando. Grandes traços, grandes qualidades que ela teve estão desaparecendo. (…)(p.40)

A meu ver, o desafio da Psicologia Analítica é honrar sua marca de origem. Ninguém foge da história de sua concepção, porque é isso que nos constitui. A Psicologia Analítica foi forjada da maneira como foi, como um modo de pensar contra a corrente, e sempre foi assim. A força da Psicologia Analítica não é ter cinqüenta mil adeptos, sua força é sua profundidade. (…)(p.44)

Ser Junguiano não significa ser devoto, nem defensor acrítico, nem fechado a outras linhas, mas, por outro lado, também não implica em abandonar certas idéias apenas por serem difíceis de compreender, ou por se achar que a psicologia junguiana por si não seja suficiente para embasar uma identidade intelectual ou terapêutica. Defendo a idéia de que a Psicologia Junguiana estabelece um estilo bastante diferenciado de pensar e trabalhar que da conta dos desafios que enfrenta. Considero importante o que os outros pensaram, mas, não acho bom fazer uma salada mista de idéias, porque ao fim e ao cabo já não se tem gosto de nada, o tudo vira nenhum. (p.68-9)

Gambini fala acerca da necessidade de atualizar Jung, trazendo sua teoria para nossa realidade contemporânea. O que nos leva a refletir a importância de um retorno a Jung. Muitas das escolas junguianas se afastam do pensamento de Jung e, apesar de se dizerem junguianas, guardam muito pouco da “marca”  junguiana.

Outro tema importante no livro, são “os sonhos” , temática que Gambini aborda de forma leve e sem se prender a questões técnicas, ele aborda a essência dos sonhos  e do trabalho com os sonhos na terapia/análise.A discussão que Gambini conduz acerca dos sonhos é extremante agradável e interessante pois, ele reflete acerca da postura ou atitude frente aos sonhos. Ressaltando que a relação com os sonhos deve ser de um dialogo, não de um interrogatório. Os sonhos se configuram como uma referência fundamental para compreender o inconsciente.

(…)na visão junguiana, um sonho é um produto natural da mente – e ele usa exatamente essa expressão – completo em si mesmo, sem disfarces nem censuras, uma declaração a respeito de um estado anterior, envolvendo desejos ou não. (p.75)

(…) Então, os sonhos, para Jung, são um dialogo entre a parte não controlada e a consciência, para fazer com que esta se reposicione, caso esteja demasiadamente unilateral ou abrigando associações de pensamentos, imagens e emoções que a autoagridem. Essa é a idéia. Agora, eu não diria que o sonho simplesmente traz solução. O sonho mobiliza o sujeito para que atinja um patamar distinto daquele em que a problemática existencial se aloja. É dessa mudança de plano que podem advir os elementos formadores de uma mudança de situação psíquica. (p.159)

(…) Nessa concepção, o sonho é uma constatação e assim deve ser encarado e tratado, como uma dado a partir do qual se começa a conhecer o paciente independentemente de seus desejos arcaicos reprimidos e até mesmo de suas associações de idéias no plano biográfico. (p. 75).

Da mesma forma, Gambini dedica páginas a questão da transferência, sem se prender a questões de ordem técnica, mas, sim de modo simples e vivencial ele discute a importância da transferência para o processo terapêutico. Reproduzo aqui o texto que ele intitulou de “Desafio Supremo”

A transferência é o desafio supremo da análise. Não existe receita. Às vezes ela é uma carga  pesadíssima, ás vezes não pesa nada, em alguns casos atrapalha, em outros ajuda. Seja como for, em toda terapia o analista está carregando para o paciente algum aspecto que este não consegue integrar e que talvez ainda nem esteja manifesto. Então é inevitável que um faça algo pelo outro, represente algo para o outro. Não se trata evidentemente de dar conselhos ou resolver problemas práticos do paciente, tarefa esta mais adequada a uma terapia ocupacional. Na esfera psíquica, alguém precisa cuidar do que ainda não nasceu e essa tarefa é do analista. Depois que veio à luz, começa-se cuidadosamente entregar o bebê para a mãe. O trabalho mais importante é na realidade aquele feito com o feto, quando só o terapeuta tem condições de enxergar e valorizar aquilo que ainda não tem cara nem nome. Portanto, aceito sentimento como dependência, gratidão, amor, cobrança, raiva, desejo de exclusividade e de atenção especial, por considerá-los como inevitáveis nessa fase de gestação. O grande teste para um analista é a hora que ele constata que consegue suportar o peso e a responsabilidade da transferência.

Às vezes uma questão transferencial, como vimos, é apontada por um sonho – então aborda-se diretamente o assunto. Caso contrario, o estilo junguiano, pelo menos segundo a Escola de Zurique, é ir vivendo o processo sem falar exaustivamente dele. Deixa-se acontecer, observa-se. Se o paciente for terapeuta, este igualmente pode se abrir com toda coragem e sinceridade. Não esmiuçamos a transferência, ficamos com a ferida doce.(p.110-111)

Apesar de citar esses três pontos de profunda reflexão teórica, o ponto maior do livro do Gambini, que o torna de leitura obrigatória é a sua confissão acerca do exercício da psicoterapia. Do alto de seus 30 anos como analista, Gambini fala de sua experiência de forma humana, sem ser professoral. Fala do exercício da psicoterapia  como uma arte, que deve ser, hora após hora, dia após dia, ano após ano, praticada, treinada, buscando sempre um refinamento maior.

Hoje, olhando para trás, vejo claramente que mesmo uma vocação tentando achar uma brecha para vir para fora e adquirir contorno, e que a depressão que me abalava nesses tempos era o avesso do nome e da forma. Foi uma dolorosa crise pessoal que ocasionou a virada. A partir do instante em que o inconsciente ejetou a figura do terapeuta e tomou corpo meu desejo de a qualquer custo ir buscar uma formação adequada, já não pude mais conceber a mim mesmo de outra forma, senão aquela que se anunciara em minha exígua sala de professor ouvindo as dores de alma de meus alunos. Hoje sou profundamente casado com minha profissão, que não pode ser outra.

(…)Quando se ouve outras pessoas falarem de outras profissões, às vezes se encontra algo análogo. tenho uma amiga, a pianista Clara Sverner, que diz ficar doente se não poder tocar de seis a oito horas por dia seu instrumento. Trata-se de uma necessidade absolutamente imperiosa. Nós também trabalhamos com isso todos os dias. Até mais. Uma vez em Zurique, num seminário,  foi mencionado o exemplo do bailarino russo Mikhail Baryshnikov que, para poder dançar como devia, tinha que treinar diariamente a musculatura do corpo durante um número análogo de horas. O analista, pela mesma razão, tem que treinar o uso de suas ferramentas. Usar bem a ferramenta é fazer uma interpretação com precisão na hora certa, detectar a voz daanima imiscuindo-se na fala exaltada de um homem, perceber um complexo se manifestando inesperadamente,  discernir a formação de um símbolo. Se você não treinar o uso  dessas ferramentas, não adianta apenas possuir teoria e intelecto. (…)

A psicoterapia, da maneira como nós a conhecemos, é uma atividade interseccional, com um fundamento na ciência e outro na arte. Esse cruzamento gera um exercício único.( p. 35-6)

Atualmente estou com 11 anos de estudo a obra junguiana. Confesso que fiquei fascinado com cada palavra e com toda a riqueza da experiência do Gambini. Lendo suas páginas, me vieram várias cenas de minha supervisão com  a Prof.Dra. Kathy Amorim Marcondes, pois, ela sempre enfatizou a relação terapeutica, valorizando a individualidade de cada um dos supervisandos, a disponibilidade, preparação e dedicação necessárias ao exercicio da psicoterapia. Trabalhando justamente essa atitude junguiana, que Gambini colaca em cada página de seu livro.

Ao ler Gambini, pude repensar minha trajetória. Suas reflexões são realmente preciosas, nos transmitindo o que é “ser junguiano” no sentido mais “clássico”. Gambini nos oferece um convite irresitível a fazermos um retorno a Jung.

· Descrição (Retirada do site da submarino)

· A Voz e o Tempo: Reflexões para Jovens Terapeutas

Este é um livro-resposta a perguntas que qual­quer terapeuta faz a si próprio: o que é “terapia”? Quais suas promessas? Como opera uma interpretação de sonho? O que é, essencialmente, a transferência? Qual a significação de seu percurso pessoal? O que o tempo faz com o analista?
Não se espere, no entanto, respostas convencionais. Respaldado nos seus trinta anos de clínica, articulando inteligência e sensibilidade, e experimentando o quanto emoção pode se tornar uma categoria cognitiva, o Autor tece reflexões instigantemente originais. Por exemplo, a visão da transferência como uma pulsão de busca de ser compreendido, dimensão arquetípica que responde a uma necessidade ainda mais urgente do que ser amado: ser conhecido, para conseguir ser. (Um outro modo de dizer que na aventura humana precisamos do Outro). Ou a idéia da interpretação de um sonho como um processo de diálise psíquica, inesperada metáfora para o processo em que a matéria do sonho sai daquele que a produziu, circula em outras veias, é como que retransfundida no analista passando pelo seu circuito emocional e daí retorna transformada, enriquecida.Ou as reflexões sobre a dor, matéria prima com que se trabalha no consultório, força criativa ou letal. E tudo isso por vezes atingindo o limite do dizível – uma das características que fazem do livro de Roberto Gambini um texto poético: nomeando, colocando em palavras percepções e realidades que confusamente sentimos, e vivemos, mas que não saberíamos expressar.
Assim, longe de constituir como que uma espécie de elenco de diretivas a jovens analistas, ou conselhos práticos de um profissional experiente e detentor de uma técnica, A Voz e o Tempo condensa aquilo que é o cerne, o caroço, o essencial para alguém que não teme ir até o limite das coisas, e que se entrega ao seu ofício como a um destino – nessa profissão em que, mais do que em qualquer outra que ao longo dos séculos o ser humano tenha inventado, se exige que o profissional entre não apenas com o seu saber, mas com tudo o que ele é.

· Editora: Ateliê

· Autor: ROBERTO GAMBINI

· ISBN: 9788574804125

· Origem: Nacional

· Ano: 2008

· Edição: 1

· Número de páginas: 221

· Acabamento: Brochura

· Formato: Médio

Referência Bibliográfica:

GAMBINI, R. A voz e o tempo: reflexões para jovens terapeutas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008.

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail: fabriciomoraes@yahoo.com.br/ Twitter:@FabricioMoraes

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Algumas Considerações Acerca do livro “Carl Gustav Jung: Uma Biografia” de Frank McLynn

02 de fevereiro de 2011

(pequena revisão realizada em 06/01/2012)

Em 1998 a Editora Record publicou no Brasil o livro “Carl Gustav Jung – uma biografia” de Frank McLynn.  Essa biografia chamou muita atenção por apresentar supostas “revelações” acerca de Jung. Que no geral, eram críticas e afirmações tendenciosas acerca de Jung e sua teoria.

Meu primeiro contato com o livro de McLynn foi em 2002, quando ainda era estudante na UFES e fazia parte do grupo de estudos em psicologia junguiana  com a profa. Dra. Kathy Amorim Marcondes(que hoje é uma querida amiga), que havia ficado responsável por uma parte do estudo acerca da biografia de Jung, que ela me indicou o livro, mas me advertiu dizendo que o livro tinha muitas informações interessantes, mas, oclip_image002 autor era horrível, maldoso.

Passaram alguns anos, e acredito que a consideração feita pela Dra. Kathy Marcondes continua muito pertinente na avaliação do livro, ele possui muitas informações interessantes, mas, o autor faz  inúmeros juízos de valor, com o claro objetivo de denegrir a imagem de Jung.

Essas duas características são interessantes pois, torna o livro um sucesso de vendas (que realmente foi), uma vez que muitas das informações contidas são realmente interessantes aos junguianos, por outro lado, as acusações, juízos de valor,  difamações agradam aos que se opõem ao pensamento junguiano. McLynn consegue a proeza de vender seus livros a “gregos e troianos”.

Uma das resenhas que ainda se encontram na internet possui o titulo de “BIOGRAFIA REVÊ CONTRADIÇÕES DE JUNG” do jornalista Carlos Haag, publicado em 1998 no jornal O Estado de São Paulo. A resenha de Haag torna explicita a principal característica do trabalho de Mclynn, um sem fim de acusações a Jung. o dois parágrafos se seu texto nos dá uma boa idéia do perfil do livro,

Freud não explica, mas agradece. Carl Gustav Jung (Record, 641 págs., R$ 50,00), biografia de Frank McLynn, faz um novo retrato – nada agradável – do profeta do inconsciente, por anos visto como pobre vítima do dogmatismo freudiano. “Ele era um homem egoísta que se interessava apenas em sua salvação, atacando Freud porque o via como rival à sua ambição de fundar o próprio movimento psicanalítico”, revela o autor. Não é só. O místico e sonhador Jung também era um tirano que se casou por dinheiro, obrigou a mulher a suportar seus inúmeros casos (e envolveu-a num ménage-à-trois), seduziu pacientes, brigou com todos os amigos, glorificou o nazismo e odiava negros, índios e judeus.

(…)

“Esse, no entanto, não é o caso, pois não há evidências científicas em suas teorizações que devem ser aceitas apenas como sistema metafísico, ainda que ele desejasse o oposto disso, sempre em busca de reconhecimento por parte de instituições que considerava dignas de respeito”, avalia McLynn.  (HAAG, 1998.)

Vamos pensar em algumas dessas afirmações, que são emblemáticas e nos permitem ter alguma idéia acerca do livro.

Ele era um homem egoísta que se interessava apenas em sua salvação, atacando Freud porque o via como rival à sua ambição de fundar o próprio movimento psicanalítico”, revela o autor

Essa afirmação é bem interessante. Especialmente quando se contrasta com o movimento junguiano. Pois, Jung rompeu com Freud e com a psicanálise definitivamente em 1914, contudo, ele não deu inicio a um instituto nem uma sociedade profissional com intuito de expandir a psicologia analítica. Deve-se notar, que em 1916, Jung iniciou o “Clube de Psicologia de Zurique”, que não tinha um objetivo de formação, mas, propiciar uma referencia social aos interessados em aprender a psicologia de Jung, isso considerando que muitos eram estrangeiros e tinham dificuldades em relação ao idioma(que era no geral, um dialeto do alemão) e a cultura local.

Nesse clube, Jung fez vários seminários no geral direcionados a poucas pessoas, mais próximas. Esse foi um motivo porque a psicologia analítica não se difundiu tanto como a psicanálise. Afinal, ao contrario do que é dito por McLynn, se Jung fosse tão ávido por fundar um movimento psicanalítico próprio, porque ficou restrito a um pequeno grupo? Deve-se notar que na década de 1930, Jung foi eleito vice-presidente, e posteriormente, assumiu a presidência da Sociedade Internacional Médica de Psicoterapia, porque ele não usou da  Sociedade para expandir seu movimento?  Ou porque somente em 1948 surgiu o primeiro instituto de formação em psicologia analítica 34 anos depois do rompimento de Jung com Freud?

Um outro dado deve ser considerado, como nos conta Maggy Anthony,

(…) em 1946, a Dra Jacobi, extrovertida oficial junguiana, havia pressionado o Dr. Jung a dar inicio a um instituto. Jung ficara horrorizado com a idéia. A Dra. Jacobi sabia que, de qualquer maneira, após a morte de Jung, tal instituto iria acabar se tornando realidade. Argumentou com ele que, se esperassem demais, ele não poderia exercer sua influencia para construí-lo de acordo com as linhas que considerasse apropriadas.

Assim Jung capitulou. (ANTHONY, 1998 p. 41)

Me parece que se fosse verdadeira essa afirmação a psicologia analítica seria muito mais difundida do que é hoje.

Outra afirmação que merece atenção,

“Jung também era um tirano que se casou por dinheiro”

Essa afirmação é outra complicada. Afinal, qual é a referencia que é usada para ser “tirano”? Não podemos perder de vista, em primeiro lugar, que Jung nasceu no ultimo quarto do século XIX, em 1875.  Domesmo modo, falar que ele casou por dinheiro, é uma afirmação que, em primeiro lugar,  não se pode comprovar efetivamente, em segundo lugar parte do preconceito que todo e qualquer homem que se casasse com uma mulher rica se casaria por interesse. Deve-se notar, que se esquece que Emma era uma jovem muito bonita e com uma formação refinada em colégio interno na França. Afirmar, que Jung se casou apenas por dinheiro, é desmerecer Emma.               

obrigou a mulher a suportar seus inúmeros casos (e envolveu-a num ménage-à-trois),

Acerca da afirmação dos “inúmeros casos” de Jung, tudo indica verdade, entretanto, quando se observa que na cultura machista e patriarcal no final do século XIX e inicio do XX. Por mais censurável que seja em nossos dias essa atitude, naquela época era uma prática tolerável e comum. O que é realmente condenável (seja em nossos dias quanto nos dias de Jung) era seu triangulo com Emma e Toni Wolff.

Mas, e preciso esclarecer esse termo “ménage-a-trois” utilizado pelo autor. Em seu sentido original, indicava uma casa que era habitado por três pessoas, posteriormente, o termo passou a ser usado (e compreendido) como uma relação sexual à três pessoas. O problema do uso desse termo é que para muitos parece que Jung obrigou a Emma a dividir a cama com Toni. De fato, Jung obrigou Emma a conviver seja na própria casa ou socialmente com Toni.

O que causava espanto não era o fato de Jung ter uma amante, mas, fazer com que ela convivesse com sua esposa.

glorificou o nazismo e odiava negros, índios e judeus.

Essa sem dúvida é a afirmação mais equivocada e absurda. Em primeiro lugar, Jung foi um  crítico de Hitler e do Nazismo, inclusive, em biografia posterior ao do McLynn, a escrita pro Deirdre Bair, afirma-se que Jung foi colaborador dos Aliados, contra o eixo.

(…)Jung passou a ser o “Agente 488” nos relatórios de Dulles para os oficiais em Washington e Londres, e os despachos do 488 eram considerados fatos e apareciam com destaque nas políticas operacionais dos agentes. O que realmente “fisgou” Dulles para consultar Jung sobre outros assuntos, além da situação da Alemanha, foi a análise que fez da política da suiça.(…) Dulles investigou as afirmações de Jung de como a impressa suíça limitava e de algum modo controlava as ações pró-nazista de Pilet-Golaz, e verificou o quanto de verdade havia na análise. (BAIR, 2006, p.179)

Devemos lembrar também, que apesar de alguns erros administrativos na direção da Sociedade Médica Internacional de Psicoterapia(SMIP), Jung primou sua administração para livrar a sociedade da influencia nazista. A SMIP, tinha sede em Berlim. Assim, eram muitas as pressões para a sociedade apoiar o partido nazista. Ao assumir a direção, em 1933, um dos primeiros atos de Jung foi dar autonomia aos países membros, de modo, a garantir que os membros judeus da sociedade, em países ocupados ou nos demais, tivessem seus direitos garantidos.

Sobre os índios e negros, afirmar que ele os “odiava” é estranho, até porque as teorias de Jung afirmam justamente que independente da cultura, etnia ou cor da pela, todos nós possuímos a mesma matriz de organização psíquica! Somos todos igualmente humanos. Jung poderia ser acusado de xenofobia? talvez sim. Afinal, ele era europeu, nascido no final do século XIX. Mas, não ao ponto de odiar quem quer que seja. Seria estranho também, também, se Jung odiasse os índios ele não citaria bom contato que teve com com Antonio Mirabal, também conhecido Ochwiay Biano ou Lago da Montanha.Nem teria se empenhado para aprender os fundamentos de suaíli para tentar se comunicar diretamente com os negros na África.

O que me parece forte nas críticas atribuídas a Jung, é justamente reflexo do choque cultural, devemos lembrar que na América, por exemplo, Jung era estrangeiro lá, ou seja, sua cultura suiça (e seus traços introvertidos) em alguns momentos entravam em choque com a cultura americana dos norte americanos brancos, assim como com os nativos norte americanos. O mesmo pode dizer na África. Mas, afirmar que “Jung odiava negros e índios” me parece fora de sentido.

Sobre as afirmações de “anti-semitismo”,ou odiar judeus, não podemos esquecer que essa afirmação era feita por Freud e perpetuada por freudianos durante muito tempo. Essa afirmação, resquício do rompimento de Freud com Jung é totalmente absurda, pois, afinal, se ele fosse anti semita, porque ele teria aceitado em seu circulo de amigos e discípulos judeus, como Erich Neumann, Jolande Jacobi, assim como o editor de suas obras completas Gerard Adler. Devemos lembrar, que com a fundação do instituto C.G.Jung de Zurique, Jung impôs o nome de Jolande Jacobi na diretoria, mesmo muitos sendo contrários a “indicação”.

Esse, no entanto, não é o caso, pois não há evidências científicas em suas teorizações que devem ser aceitas apenas como sistema metafísico, ainda que ele desejasse o oposto disso, sempre em busca de reconhecimento por parte de instituições que considerava dignas de respeito”diz McLynn,

O que mais me chamou atenção nessa ultima afirmação é o fato que McLynn é jornalista e biógrafo. Que conhecimento efetivo da prática da psicoterapia ele possui para julgar a teoria de Jung? Estaria ele correto e todos os profissionais(psicólogos e médicos) que trabalham com a psicologia analítica e clientes que se viram beneficiados pela teoria e métodos junguianos, desde os tempos de Jung,  errados?

Por outro lado, é negativo que um profissional busque reconhecimento? Diga-se de passagem, em 1936 Jung recebeu o titulo de doutor in honoris causa  pela universidade de Harvard, e em 1938 recebeu o mesmo reconhecimento pela universidade Oxford. Caso Jung e sua teoria fossem tão equivocadas ou condenáveis, tais instituições não lhe dariam tal reconhecimento.

Como eu disse no inicio, o livro possui muitas informações interessantes, contudo, deve-se fazer uma leitura atenta para os “excessos” de Mclynn, que em alguns momentos parece que ele está escrevendo para algum jornal ou tablóide sensacionalista tão comuns na Inglaterra(sua terra natal), que adoram denegrir a imagem das celebridades.

Na minha opinião, caso alguém queira estudar a biografia de Jung, eu indico como o melhor biografia que eu já li,os dois volumes do “Jung: uma biografia” de Deirdre Bair. Isto além, do Memórias, sonhos e reflexões, é claro!

Referencias Bibliográficas

ANTHONY, Maggy.  As mulheres na vida de Jung.  Rio de Janeiro : Rosa dos Tempos, 1998. 

BAIR, Deirdre, JUNG – Uma biografia V. 2; São Paulo: Ed. Globo, 2006.

HAAG, Carlos “BIOGRAFIA REVÊ CONTRADIÇÕES DE JUNG”no site Pensar, disponível em : http://reocities.com/Athens/acropolis/6634/jung.htm. Acessado em 27 de janeiro de 2011. 1998.

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail: fabriciomoraes@yahoo.com.br/ Twitter:@FabricioMoraes

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O Livro Vermelho de Jung

 

(16 de julho de 2010)

Na próxima semana, está previsto o lançamento do “LIVRO VERMELHO” de Jung, uma obra lendária, pode-se dizer que é verdadeiro um sonho de consumo dos estudiosos em psicologia analítica. Apesar de toda festa que está sendo preparada para receber essa pérola, eu confesso que minha preocupação é maior que minha ansiedade. Isso porque  penso que se o livro em inglês vem gerando criticas mordazes, e já vemos isso matérias extremamente depreciativas em algumas revistas e jornais, em português a coisa deve ser muito pior…

Não me incomoda a  critica em si (todo junguiano já está acostumado com essas críticas), mas, a desinformação que essas criticas geram no publico em geral. É interessante como as criticas que eu tenho lido são tão infantis e pecam por uma coisa básica, esquecem que o livro vermelho foi uma tentativa de elaborar as experiências de imaginação ativa  de Jung. O que ele fez de forma cuidadosa e atenta, produzindo imagens belíssimas, e as narrativas (em algumas partes) em  caligrafia gótica, ao longo de 16 anos.E não podemos perder de vista, que as experiências da imaginação ativa devem fazer sentido para quem as vive, logo, é inútil criar conjecturas e julgamentos acerca de Jung e sua “sanidade” a partir do livro (que na realidade estava mais para diário), pois que a “chave de compreensão” do livro vermelho deixou de existir em 1961.

Por outro lado, muitos ignoram (ou preferem ignorar) que o inicio da psicanálise foi traumático para grande parte do circulo psicanalítico – próximo de Freud – segundo o levantamento histórico feito pelo dr. Isaias Paim (2001) 13(treze) dos pioneiros da psicanálise cometeram suicídio (foram eles: Wilhelm Stekel, Victor Tausk, Paul Federn,  Herbert Silberer, Otto Gross, Max Kahane, Karl Schrötter, Eugénie Sokolnicka, Karin Stephen, Tatiana Rosenthal, Monroe Meyer, Martin Willian Peck, Johann Jakob Honegger), outros tiveram destino tragico, como Karl Abraham que insistiu em fazer uma cirurgia da qual sabia não haveria chance de sair com vida, Hermine von Hug-Hellmuth, foi assassinada por um ex-paciente (que também era seu sobrinho do qual foi analista); Ruth Mack Brunswick se tornou dependente de morfina, e outros 8(oito) desses pioneiros terminaram a vida em surto psicótico (foram eles Sándor Frerenczi, Wilhelm Reich, Otto Rank, Gregory Zilboorg, Jenö Harnik, Ernest Jones, Otto Finichel e Horace W. Frink).

Muitos dos pioneiros da investigação do inconsciente sucumbiram, Jung por sua vez, suportou e pode ser produtivo, e viver uma vida longa (86 anos). Eu gostaria de citar duas outras pessoas que conheceram Jung, e nos possibilitam uma visão acerca dele. Em conversa com Miguel Serrano, acerca de símbolos e falando de Jung,   Hermann Hesse (premio Nobel de literatura, autor do “O jogo das contas de Vidro”, “ O lobo da Estepe”, “Sidarta”, “Demian” dentre outros) disse

“(…) Mas, voltando a Jung, creio ele tem o direito de interpretar os símbolos. E sabe por quê? Por que Jung é uma montanha ime’’nsa, um gênio extraordinário…Ele esteve doente recentemente… conheci-o através de um amigo comum que também se interessava pela interpretação dos símbolos. Faz anos que não o vejo. Se voltar a encontra-lo, dê-lhe lembranças do Lobo da Estepe.

E sorriu alegremente”  

(SERRANO, 1973,.p28)

Outra fala que me chamou a atenção, foi de Mircea Eliade, no livro de entrevistas “ A prova do Labirinto”, ele diz

—Sinto uma grande admiração pelo Jung, pelo pensador e pelo homem que foi. Conheci-lhe em 1950, com motivo das «Conferências Eranos» de Ascona. depois de meia hora de conversação, parecia-me que estava escutando a um sábio chinês ou a um velho aldeão da Europa oriental, ainda enraizado na Terra Mãe, mas já muito perto do céu. Fascinava-me a admirável simpatia de sua presença, sua espontaneidade, a erudição e o humor de sua conversação. Na época tinha setenta e cinco anos.
Depois voltei a ver-lhe quase todos os anos, em Ascona, ou em Zurique; a última vez, um ano antes de sua morte, em 1960. A cada encontro sentia profundamente impressionado pela plenitude, a «sabedoria» atrevo-me a dizer, de sua vida.

Acredito que o livro vermelho mostra, sobretudo, a seriedade com qual Jung lidava consigo mesmo. O trabalho que teve com o próprio inconsciente – e o cuidado de elaborar suas experiências no livro vermelho, mostra sua coerência, pois, o que ele sugeria aos clientes ele mesmo fazia. Apesar de classificarem as experiências de Jung como doentias ou fruto de uma psique doente, ele nos dá uma perspectiva fundamental para compreendamos suas experiências, ele diz “ o que o médico não suporta, o paciente também não vai suportar”(JUNG. 1999. p.122) O livro vermelho é uma testemunha do que Jung suportou, e nos ajuda a compreender porque  ele é tão respeitado.

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abaixo estão os dados da vozes para quem quiser compra-lo.

“O livro inacabado de Jung, que apenas os amigos mais próximos tiveram acesso,conta com um caderno iconográfico com imagens do manuscrito original,assim como pinturas feitas pelo próprio Jung, e tradução com referências e notas do editor.

404 páginas / acabamento com capa dura e sobrecapa.
Lombada de 5 cm / peso: 4.200 gramas

Preço normal: R$ 480,00
Preço promocional de pré-venda : R$ 384,00

www.universovozes.com.br

Referências:

SERRANO,M. O circulo Hermético, Brasiliense: São Paulo, 1973

JUNG, C.G., Ab-reação, análise de sonhos, transferência, Vozes: Petrópolis, 4 ed. 1999

PAIM, I. Luz e Trevas,  Editora UFMS: Campo Grande., 2001.

 

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail: fabriciomoraes@yahoo.com.br/ Twitter:@FabricioMoraes

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