Citações

Nesta página colocarei citações de Jung que considero importantes e representativas das ideias junguianas.

” Quando te diriges ao pensar, leva junto teu coração. Quando te diriges ao amor, leva junto tua cabeça. Vazio é o amor sem pensar, ou o pensar sem amor.”

(C.G.Jung, Livro Vermelho, p.253)

“O Inconsciente é natureza que nunca engana: só nós nos enganamos”

( C.G. Jung, Símbolos da Transformação, p. 54)

Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.”

(Jung, O Eu e o inconsciente, p.54)

(…)o psicoterapeuta está obrigado a um autoconhecimento e a uma crítica de suas convicções pessoais, filosóficas e religiosas, tanto quanto um cirurgião está obrigado a uma perfeita assepsia. O médico deve conhecer sua equação pessoal para não violentar seu paciente”

(Jung, Civilização em Transição, p.154)

A vida tem de ser conquistada sempre e de novo.”

(JUNG, Natureza da Psique, p.5-6)

Nosso modo de ser condiciona nosso modo de ver”

(Jung , Freud e a Psicanalise, p.324)

A regra fundamental do psicoterapeuta é considerar cada caso como novo e único. É assim se chega mais próximo da verdade.

(Jung, Civilização em Transição, p. 159)

O que viso é produzir algo de eficaz, é um produzir um estado psíquico, em que meu paciente comece a fazer experiências com seu ser, um ser em que nada mais é definitivo nem irremediavelmente petrificado; é produzir um estado de fluidez, de transformação e de vir a ser.”

(Jung, A Pratica da Psicoterapia, p. 43-4)

Quem renuncia à façanha de viver precisa sufocar dentro de si mesmo o desejo de fazê-lo, portanto cometer uma espécie de suicídio parcial. Isto explica as fanasias de morte que frequentemente acompanham a renúnica ao desejo.

(Jung, Símbolos da Transformação, p. 97)

Onde im­pera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor. Um é a sombra do outro.

(Jung, Psicologia do Inconsciente, p. 45)

O homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera.

(Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões, p. 243)

Enfim, não é apenas o passado que nos condiciona, mas, também o futuro, que muito tempo antes já se encontra em nós e lentamenta vai surgindo de nós mesmos.”

(Jung, O Dsenvolvimento da Personalidade, p. 115)

Ninguém mexe como fogo ou veneno sem ser atingido em algum ponto vulnerável; assim, o verdadeiro médico não é aqueel que fica ao lado, mas sim dentro do processo”

(Jung, Psicologia e Alquimia, p. 19)

O encontro de duas personalidades é como a mistura de duas substâncias quimicas diferentes: no caso de se dar uma reação, ambas se transformam.”

(Jung, A prática da psicoterapia , p. 68)

O que a juventude encontrou e precisa encontrar fora, o homem no entardecer da vida precisa encontrar dentro de si.”

(Jung, Psicologia do Inconsciente, p. 67)

Portanto, quem quiser conhe­cer a psique humana infelizmente pouco receberá da psicologia experimental. O melhor a fazer seria [pendurar no cabide as ciências exatas, despir-se da beca professoral, despedir-se do gabinete de estudos e caminhar pelo mundo com um coração de homem: no horror das prisões, nos asilos de alienados e hospitais, nas tabernas dos subúrbios, nos bordéis e casas de jogo, nos salões elegantes, na Bolsa de Valores, nos “meetings” socialistas, nas igrejas, nas seitas predicantes e extáticas, no amor e no ódio, em todas as formas de paixão vividas no pró­prio corpo, enfim, em todas essas experiências, ele encontraria uma carga mais rica de saber do que nos grossos compêndios.

Então, como verdadeiro conhecedor da alma humana, tomar-se-ia um médico apto para ajudar seus doentes. Poder-se-ia perdoar-lhe o pouco respeito pelas assim chamadas “pedras angulares” da psicologia experimental. Pois entre o que a ciência chama de “psicologia” e o que a práxis da vida diária espera da “psicologia” “há um abismo profundo”.*

(Jung, Psicologia do Inconsciente, p. 112-3)

* Texto de 1912

O psicoterapeuta pouco ou nada aprende com os sucessos, principalmente poruqe o fortalecem em nos seus enganos. Os fracassos, ao invés, são experiências preciosíssimas, não sõ porque através deles se faz a abertura para a verdade maior, mas também porque nos obrigam a repensar nossas concepções e métodos”.

(Jung, A Prática da Psicoterapia, p. 36)

“A individuação, no entanto, significa precisamente a realização melhor e mais completa das qualidades coletivas do ser humano; é a consideração adequada e não o esquecimento das peculiaridades individuais, o fator determinante de um melhor rendimento social. A singularidade de um indivíduo não deve ser compreendida como uma estranheza de sua substância ou de seus componentes, mas sim como uma combinação única, ou como uma diferenciação gradual de funções e faculdades que em si mesmas são universais. (…) A individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que faculte a realização das qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo mediante o qual um homem se torna o ser único que de fato é. Com isto, não se torna “egoísta”, no sentido usual da palavra, mas procura realizar a peculiaridade do seu ser e isto, como dissemos, é totalmente diferente do egoísmo ou do individualismo.

(JUNG, O Eu e o Inconsciente, p. 49-50)

” Algum analista em posse de seu bom-senso pode supor que, quando pensa algo ruim sobre seu paciente ou quando seu paciente o enoja, este não perceberá? Com certeza o paciente vai farejar e vice versa. Aquilo que somos é tão mais forte do que nossas medíocres palavras. O paciente é permeado por aquilo que somos, não pela nossa, ele mal escuta o que dizemos.[Risos] Vejam, os pacientes escutam surpreendentemente pouco. Os analistas são fortemente permeados pelo verdadeiro ser de seus pacientes, e por serem analistas, não podem admiti-lo. Isso é totalmente ridículo. É infantil, simplesmente infantil. Bem melhor do que escutar, é ter uma concepção consciente de que sentimos ou de nossos pensamentos íntimos.”

(Jung, Sobre Sonhos e Transformações, p. 47-8)

“O Momento em que aparece uma situação mitológica é sempre caracterizado por uma intensidade emocional peculiar; é como se as cordas fossem tocadas em nós que nunca antes ressoaram, ou como se forças poderosas fossem desencadeadas de cuja existência nunca desconfiávamos. A luta pela adaptação é uma coisa penosa, pois temos que nos confrontar constantemente com condições individuais, quer dizer, atipicas. Não é de admirar que, quando alcançarmos uma situação típica, sintamos de repente ou a libertação toda especial, como se estivéssemos sendo carregados, ou nos sintamos agarrados por uma força superior. Em tais momentos não somos mais indivíduos, mas uma espécie; pois a voz de toda humanidade ressoa em nós. Por isso, também o indíviduo quase não tem condições de utilizar suas forças plenamente, a não ser que uma dessas representações coletivas, que chamamos de ideais, venha em seu auxílio e desencadeie nele todas aquelas forças instintivas às quaisi a vontade consciente comum, por si só, jamais teria acesso.(…)

Toda referência ao arquétipo, seja experimentada ou apenas dita, é “perturbadora”, isto é, ela atua, pois ela solta em nós uma voz muito mais poderosa do que a nossa. Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, elevando simultaneamente aquilo que qualifica de único e efêmero na espera do continuo devir, eleva o destino pessoal ao destino da humanidade. e com isso solta em nós aquelas forças benéficas que desde sempre possibilitaram a humanidade salvar-se de todos os perigos e também sobreviver à mais longa noite.”

(JUNG, C.G, O Espirito na Arte e na Ciência, p. 70).

” Encontramo-nos sempre presos à nossa experiência psicológica. Estamos imersos no mundo das imagens. Independentemente do que dizemos sobre o psíquico, falamos sempre a partir de um arquétipo. Quando Freud diz que a razão e o inicio de tudo é a sexualidade, trata-se igualmente de uma ideia arquetípica É a ideia primitiva por excelência, assim como a ânsia de poder de Adler. Estas duas idéias estão presentes entres os filósofos antigos, na ideias gnósticas e alquímicas: a natureza se deleita com a natureza, a natureza domina a natureza. Essa realidade foi expressa pelo símbolo da cobra que morde a própria cauda, o Uroboros. Quando então acreditamos estar pronunciando uma verdade definitiva, estamos enganados: expressamos somente um arquétipo. Em suma, isso indica que o arquétipo vive. Vive em Freud, vive em Adler e igualmente em mim.”

(JUNG, C.G. Seminários sobre Sonhos de Crianças, p. 75)

“Nossa vida compara-se à trajetória do sol. De manhã o sol vai adquirindo cada vez mais força até atingir o brilho e o calor do apogeu do meio-dia. Depois vem a enantiodromia. Seu avançar constante não significa mais aumento e sim diminuição de força. Sendo assim, nosso papel junto ao jovem difere do que exercemos junto a uma pessoa mais amadurecida. No que se refere ao primeiro, basta afastar todos os obstáculos que dificultam sua expansão e ascensão. Quanto à última, porém, temos que incentivar tudo quanto sustente sua descida. Um jovem inexperiente pode pensar que os velhos podem ser abandonados, pois já não prestam para nada, uma vez que sua vida ficou para trás e só servem como escoras petrificadas do passado. É enorme o engano de supor que o sentido da vida esteja esgotado depois da fase juvenil de expansão, que uma mulher esteja “liquidada” ao entrar na menopausa. O entardecer da vida humana é tão cheio de significação quanto o período da manhã. Só diferem quanto ao sentido e intenção. O homem tem dois tipos de objetivo. O primeiro é o objetivo natural, a procriação dos filhos e todos os serviços referentes à proteção da prole; para tanto, é necessário ganhar dinheiro e posição social. Alcançado esse objetivo, começa a outra fase: a do objetivo cultural. Para atingir o primeiro objetivo, a natureza ajuda; e, além dela, a educação. Para o segundo objetivo, contamos com pouca ou nenhuma ajuda. Freqüentemente reina um falso orgulho que nos faz acreditar que o velho tem que ser como o moço ou, pelo menos, fingir que o é, apesar de no íntimo não estar convencido disso. É por isso que a passagem da fase natural para a fase cultural é tão tremendamente difícil e amarga para tanta gente; agarram-se às ilusões da juventude ou a seus filhos para assim salvar um resquício de juventude. Pode-se notar isso principalmente nas mães que põem nos filhos o único sentido da vida e acreditam cair num abismo sem fundo se tiverem que renunciar a eles. Não é de admirar que muitas neuroses graves se manifestem no início do outono da vida. É uma espécie de segunda puberdade ou segundo período de “impetuosidade”, não raro acompanhado de todos os tumultos da paixão (“idade perigosa”). Mas as antigas receitas não servem mais para resolver os problemas que se colocam nessa idade. Tal relógio não permite girar os ponteiros para trás. O que a juventude encontrou e precisa encontrar fora, o homem no entardecer da vida tem que encontrar dentro de si.

(Jung, psicologia do inconsciente, p. 66-7)

” Portanto, quando eu chamo a atenção para um aspecto sombrio do pano de fundo psíquico, meu intuito não é fazer uma advertência pessimista. Pretendo antes sublinhar que, apesar de seu aspecto assustador, o inconsciente exerce forte atração não só sobre as naturezas doentias, mas também sobre os espíritos sadios e positivos. O fundo da psique é natureza e natureza é vida criadora. É verdade que a própria natureza derruba o que construiu, mas vai reconstruir de novo. Os valores que o relativismo moderno destrói no mundo visível, a psique no-los restitui.De inicio só vemos a descida na obscuridade e na fealdade, mas aquele que é incapaz de suportar este espetáculo também não conseguirá jamais criar a luminosidade e a beleza. A luz sempre nascerá da noite, e nenhum sol jamais ficou imóvel no céu porque uma tímida aspiração humana se engatou nele.”

( JUNG, Civilização em Transição, p. 89)

” O consciente, embora não se identifique com a tendência inconsciente, confronta-se com ela e tem que levá-la em conta, de um modo ou de outro, para desempenhar seu papel na vida do individuo, por mais difícil que isto seja. Se o inconsciente não se expressar de alguma forma, através de palavras, ação, inquietação, sofrimento, consideração, resistência, a antiga cisão reaparece, com todas consequências muitas vezes imprevisíveis que o desprezo do inconsciente pode acarretar. Se ao invés, as concessões ao inconsciente forem excessivas, ocorrerá uma inflação da personalidade, no sentido positivo ou negativo. Como quer que se encare a situação, ela sempre será um conflito interno e externo: um dos pássaros aprendeu a voar, o outro, ainda não. A dúvida é a seguinte: por um lado um “pro” discutível, por outro, um “contra” que é preciso acatar. Todos gostariam de escapar a esta situação, por certo inconfortável, mas só para descobrirem depois o que foi deixado para trás eram eles mesmos. Viver fugindo de si mesmo só traz amargura, e viver consigo mesmo requer uma série de virtudes cristãs, que no caso, devemos ter em relação a nós mesmos. Essas virtudes são: paciência, amor, fé, esperança e humildade. É importante beneficiar ao próximo com elas, não resta a menor dúvida, mas logo vem o diabo do narcisismo, dá-nos uns tapinhas nas costas e diz : “Bravo! Muito bem!” E como esta é uma grande verdade psicológica ela tem que ser invertida em relação a tantas pessoas, a fim de que o diabo tenha algo a censurar. Mas se for preciso ter essas virtudes para conosco mesmos, isso nos torna felizes? E se eu for receptor de minhas próprias dádivas, se for eu o menor entre os meus irmãos que devo acolher dentro de mim? E se tiver que reconhecer que estou necessitado de minha própria paciência, de meu amor, de minha fé e até de minha humildade? que o diabo meu opositor, aquele que sempre em tudo me contraria, sou eu mesmo? podemos realmente suportar-nos a nós mesmos? Não se deve fazer aos outros o que não se faria a si mesmo. E isto é válido para o mal como para o bem. “

(Jung, Ab-reação, análise de sonhos, Transferência, p. 166-7; pr. 522)

Um dos requisitos essenciais do processo de confrontação é que se leve a sério o lado oposto. Somente deste modo é que os fatores reguladores poderão ter alguma influência em nossas ações. Tomá-lo a sério não significa tomá-lo ao pé da letra, mas conceder um crédito de confiança ao inconsciente, proporcionando-lhe, assim, a possibilidade de cooperar com a consciência, em vez de perturbá-la automaticamente.

A confrontação, portanto, não justifica apenas o ponto de vista do ego, mas confere igual autoridade ao inconsciente. A confrontação é conduzida a partir do ego, embora deixando que o inconsciente também fale — audiatur et altera pars [ouça-se também a outra parte].

(JUNG, Natureza da Psique, p.20-1)

Ao tornar-se consciente a Sombra é integrada ao eu, o que faz com que se opere uma aproximação à totalidade. A totalidade não é a perfeição, mas sim ser completo.

Pela assimilação da Sombra , o homem como que assume seu corpo, o que traz para o foco da consciência toda a sua esfera animal dos instintos, bem como a Psique primitiva ou arcaica, que assim não se deixam mais reprimir por meio de ficções e ilusões. E é justamente isso que faz do homem o problema difícil que ele é.

(JUNG, Ab-reação, analise de sonhos, Transferência, p.106)