Hipnose Ericksoniana e Clínica Junguiana (Parte I) – Uma aproximação

Este texto nasceu a partir de três momentos de minha experiência junguiana com a hipnose. O primeiro ponto esta relacionado com a minha formação em hipnose ericksoniana, pois, ao longo de toda formação eu via nitidamente (e verbalizava isso com alguns colegas) proximidades entre o pensamento junguiano e os pressupostos ericksonianos. O Segundo foi um contínuo incomodo ao perceber que no processo de aprendizagem da hipnose, que a hipnose oferecia uma excelente técnica e uma teoria da técnica, mas, não uma concepção psicodinâmica clara que fundamentasse a técnica. O terceiro ponto, e mais importante, foram as discussões surgidas no Grupo Aion acerca da hipnose e de uma possível compreensão a partir da dinâmica psíquica proposta por Jung.

Neste texto não tenho a pretensão de exaurir o tema, muito pelo contrário, meu objetivo é apenas iniciar um diálogo, buscando diminuir o preconceito e convidar aos junguianos a conhecerem um pouco mais possibilidade terapêutica.

Jung e a Hipnose

No final do século XIX e início do século XX, a hipnose se caracterizava como um recurso médico importante e especialmente para as escolas médicas francesas – um expoente do uso médico da hipnose foi o médico Jean Martin Charcot que foi professor de Freud e utilizou da hipnose no tratamento da histeria. Nesse período o uso da hipnose clinico da hipnose dava seus primeiros passos, por isso, a hipnose daquele tempo que hoje chamamos de “hipnose clássica” era caracterizada por uma indução relativamente rígida associada a sugestão autoritária. Nesse contexto, as resistências eram reforçadas (pelo autoritarismo) e muitas pessoas não entravam no estado hipnótico pela forma como este era induzido – essas dificuldades associadas com recidivas fizeram Freud abandonar o uso da hipnose, ao passo que desenvolvia a psicanálise – por acreditar que a hipnose não seria eficaz. Essa versão da relação de Freud e a hipnose é bem conhecida – inclusive serviu e ainda serve de preconceito quando se fala de hipnose. Muitos encerram o assunto por aí. Como não é de se estranhar, Jung tinha uma opinião bem diversa da de Freud. Um fato que que geralmente não é comentado é que Jung, ao longo da primeira década do séc.XX, utilizou da hipnose – não só utilizou como também era bom hipnólogo, inclusive ministrou cursos sobre hipnose durante seu período como professor na universidade da Basiléia.

A relação de Jung com a hipnose é geralmente ignorada. Numa carta de 1913 ao dr.Loÿ Jung afirma que,

não abandonei a hipnose por não querer nada com as forças básicas da psique humana, mas porque desejava exatamente lutar aberta e diretamente com elas. Sabendo quais forças atuavam na hipnose, eu a abandonei simplesmente para eliminar todas as vantagens indiretas desse método.(JUNG, 1989,p 256)

Esse trecho é muito importante, pois, Jung reconhecia o mérito da hipnose, mas, como pesquisador não podia aceitar as “vantagens indiretas” da hipnose pois, prejudicava sua compreensão ou estudo dos fenômenos do inconsciente.

Em suas memórias, Jung citou um caso que nos permite pensar de forma mais clara e objetiva relação de Jung com a hipnose. Ele relata a história de uma paciente de cerca de 58 anos, que andava com ajuda de muletas, e que foi para ser hipnotizada por ele. Após, um período de dialogo inicial, ele relata que a paciente entrou em transe sem que ele havia feito qualquer técnica,

Entretanto a situação se tornava embaraçosa. Mais de vinte estudantes assistam a essa demonstração de hipnose.

Quando, ao fim de meia hora, quis despertar a doente, não o consegui. A situação era alarmante e imaginei que talvez tivesse aflorado naquela mulher uma psicose latente. Passaram-se dez minutos e não conseguia acorda-la. Não queria que os estudantes percebessem minha ansiedade. Afinal ela voltou a si atordoada e confusa. Procurei tranquiliza-la: ‘Sou médico, e tudo está bem.’ Então ela gritou ‘Estou curada! ’ Jogando longe de si as muletas pôs-se andar. Senti que ruborizava e disse aos estudantes: ‘Vocês podem ver o que é possível obter pela hipnose. ’ Não tinha, porém, a menor idéia do que se passara.

Essa foi uma das experiências que me incitaram a renunciar a hipnose. Não podia compreender o que realmente ocorrera, mas a mulher se curara verdadeiramente e saiu muito feliz da clínica[1]. Pedi que me desse notícias, pois previa uma recaída ao fim de umas vinte quatro horas. Entretanto, as dores não voltaram e tive que aceitar, apesar de meu cepticismo, o fato de que estava curada.

No primeiro curso de semestre de verão do ano seguinte, ela reapareceu. Queixou-se dessa vez de violentas dores nas costas, que haviam começado pouco antes. Não exclui a hipótese de que se relacionassem com o recomeço do meu curso. Talvez tivesse lido no jornal a notícia de minhas experiências. Perguntei-lhe quando a dor começara e qual fora a causa. Ela não se lembrava do fato e de nada que o explicasse. Finalmente, consegui descobrir que as dores haviam efetivamente começado no dia e na hora em que vira no jornal a notícia de meus cursos. Isso confirmava minha suposição, mas, mas continuava sem compreender o que provocara a cura milagrosa. Hipnotizei-a de novo, ou melhor, ela caiu, como antes, espontaneamente em transe e voltou a si livre das dores.

Depois da consulta, a retive para obter alguns detalhes sobre sua vida. Soube então que tinha um filho débil mental, que estava sob os cuidados do meu departamento. Eu de nada sabia, pois ela usava o nome do segundo marido, e o filho nascera de seu primeiro casamento. Era seu único filho. Naturalmente, ela esperara que fosse talentoso e bem sucedido, e se decepcionara profundamente quando, ainda na infância ele tornou-se presa de uma doença psíquica. Naquele momento eu era um jovem médico e representava tudo que ela desejara pra ele. Dessa forma todos os ambiciosos desejos de mãe heroica que ela acalentava, recaíram sobre mim. Adotou-me então como filho, e anunciou urbi et orbi, sua cura maravilhosa.

Efetivamente, devo agradecer a ela minha fama local de mágico e, como a história logo espalhou-se por toda parte, devo-lhe os primeiros clientes de minha clínica particular. Minha prática terapêutica começou porque uma mãe me pusera em lugar de seu filho, doente mental! Naturalmente expliquei todas essas relações; ela aceitou tudo com compreensão e nunca mais recaiu.

(…)

Quando comecei a trabalhar em minha clínica particular, utilizei a hipnose, mas logo a abandonei por sentir que com ela se tateia na obscuridade. É impossível saber quanto tempo dura um progresso ou uma cura, e eu sempre sentia resistência em agir sem certeza.[2] Não me agradava também decidir acerca do que o paciente deveria fazer[3]. Era bem mais importante descobrir a partir dele em que direção se desenvolveria naturalmente. Utilizei para isso uma minunciosa análise de outras manifestações do inconsciente.(JUNG, 1975, 111-2) (Grifos meus)

Essa citação extensa foi necessária para identificarmos os pontos que levaram a Jung abandonar a hipnose clássica: 1- Não saber como ocorria o processo de cura. 2 – Não se sentir confortável ou ter resistências apenas com o uso da técnica. 3 – Não concordar com a postura autoritária da técnica.

Devemos notar outro aspecto importante, Jung não rejeita a eficácia da hipnose – tanto que podemos ver que na segunda vez, ele continuou utilizando a hipnose, mas, em sua conversa analítica com a mulher ele utiliza da hipnose para tirar a dor das costas. O diálogo e a conscientização feita acerca a história do filho, poderia ser compreendida em termos de sugestão pós-hipnótica.

O abandono da hipnose não representou uma negação, mas, uma opção, uma escolha necessária naquele momento. Posteriormente, os próprios estudos de Jung acerca da dinâmica psíquica e da psique arquetípica oferecem elementos compreender a hipnose e seus processos. Por outro lado, o desenvolvimento da hipnose clínica suprimiu as dificuldades que Jung encontrou em seus dias como hipnólogo. James Hall, que foi proeminente analista junguiano americano, compreendia que,

A hipnose continua a ser um valioso e impressionante instrumento no arsenal do clínico. A futura integração entre as técnicas hipnóticas e a teoria junguiana facilitará ainda mais as aplicações da hipnoterapia no contexto da análise junguiana clássica e da interpretação dos sonhos.

Embora só utilize a hipnoterapia, atualmente, numa pequena porcentagem de casos, não considero seu uso cuidadoso como incompatível com a análise dos sonhos e outras técnicas junguianas tradicionais. Ouso imaginar que o próprio Jung concordaria, se estivesse vivo e consciente dos desenvolvimentos da compreensão da hipnose que ocorreram desde seus primeiros anos de trabalho com Freud. (HALL, 1992, p.156)

Acredito, assim como Hall, que a Hipnose oferece um importante instrumento para o analista junguiano, cujo potencial deveria ser melhor considerado nos meios junguianos.

Pensando a Hipnose

Hipnose ou hipnotismo foi um termo criado no século XIX, pelo médico James Braid(1795-1860) para se referir a um estado de sono artificialmente induzido (hipnos – como referência ao deus grego do sono). Apesar do termo ter sido cunhado no século XIX, o fenômeno hipnótico já era conhecido por muitas culturas antigas já conheciam e tiravam proveito seja para cura, para guerra dentre outros, desse estado psíquico.

Sofia Bauer apresenta uma interessante definição de hipnose, segundo ela

Hipnose é um estado alternativo de consciência ampliada, onde o sujeito permanece acordado todo o tempo, experimentando sensações, sentimentos, talvez tendo imagens, regressões, anestesia, analgesias e outros fenômenos hipnóticos enquanto está nesse estado.

Você permanece mais interno, mais focado, mais acordado. Durante o transe, você vai se desligando das percepções externas e tem uma grande atividade interna, sem perder seu estado de alerta. (BAUER, 2010 p. 17)

Para o leitor o mais exigente a “definição” pode parecer pouco precisa. Isso porque a hipnose é um fenômeno psíquico natural que apenas podemos descrevê-lo de forma mais ou menos precisa, pois, uma definição estrita poderia não contemplar o fenômeno. Hipnose e transe são termos quase que indissociáveis – sendo a hipnose se refere o contexto mais amplo que envolve a relação terapeuta e cliente, a comunicação, a técnica e o transe se refere a experiência individual, particular, que o indivíduo vivência consigo mesmo no estado hipnótico.

Deve-se notar que o estado hipnótico já foi descrito como um “estado alterado de consciência”, mas, por como esse termo poderia passar uma ideia pejorativa, patológica, por isso, Sofia Bauer sabiamente optou por um “estado alternativo de consciência” que soa mais coerente. Sob um ponto de vista junguiano, eu questionaria apenas a ênfase na consciência. Digo isso, pois, não é uma alteração ou estado alternativo apenas da consciência mas, do indivíduo como um todo – há uma mudança na totalidade do indivíduo.

Um dos importantes pesquisadores dos fenômenos hipnóticos foi Pierre Janet (que por sua fez, foi professor de Jung), que desenvolveu conceito de abaissement du niveau mental(abaixamento do nível mental) na tentativa de compreender os fenômenos hipnóticos, apesar deste conceito não corresponder de fato ao processo hipnótico, mas, apenas ao que era observado externamente, foi amplamente utilizado por Jung

para descrever uma condição fronteiriça em que a consciência de determinados conteúdos inconscientes era iminente. Reconhecia-a como um importante estado de condição prévia para a ocorrência de fenômenos psíquicos espontâneos. Daí, muito embora seja normalmente um estado que ocorre involuntariamente (…), também pode ser conscientemente propiciado como fator preparatório para a IMAGINAÇÃO ATIVA. (SAMUELS,et al. 1988, p.17)

Este estado fronteiriço, permeável entre a consciência e o inconsciente, é fundamental para qualquer processo psicoterapêutico, pois, corresponde ao princípio natural de autorregulação psíquica. Podemos perceber este estado de permeabilidade da consciência nos fenômenos de transferência /contratransferência, de projeção na matéria (no caso do uso de técnicas expressivas), na mudança da atitude da consciência no caso da imaginação ativa e da hipnose.

Por isso, o “estado hipnótico” não deve ser compreendido como um estado “apenas produzido” pela hipnose, ou restrito a relação hipnótica, muito pelo contrário ele é natural e entramos nesse estado alternativo, fronteiriço ou intermediário em diversas as situações de nossa vida – quando estamos no cinema, quando dirigimos ou andamos “distraidamente” (absortos em nós mesmos), quando lemos, quando rezamos ou meditamos ou mesmo em nossos relacionamentos ou mesmo nos sintomas neuróticos– possibilitando um diálogo entre a consciência e o inconsciente.

Uma forma de comunicação

Como dissemos anteriormente, o transe hipnótico, isto é, a experiência pessoal vivenciada pelo individuo, é uma experiência natural, resultado da tendência natural de aproximação entre a consciência e o inconsciente, que se caracteriza com a interiorização do foco da atenção.

O caminho a ser percorrido até se chegar a experiência do transe e a sua manutenção é chamado de indução. Poderíamos dizer que a indução é o processo no qual o hipnoterapeuta reduz as defesas do ego do paciente – internas e externas – possibilitando que se estabeleça um temenos interior, um espaço de protegido na relação do indivíduo consigo mesmo, possibilitando que ocorram as mudanças necessárias. Geralmente, a indução “formal” é compreendida em três etapas: absorção, ratificação e eliciação. A absorção corresponderia a primeira etapa do processo, onde o hipnoterapeuta auxiliaria ao cliente no seu processo de interiorização, por meio de uma linguagem adequada, facilitando que o indivíduo possa se permitir entrar no estado hipnótico; a ratificação seria um momento onde o hipnoterapeuta descreveria ao cliente as mudanças que são perceptíveis nesse estado, de tal forma, que conscientemente o cliente se permita ficar um pouco mais nesse estado e aprofundar; na eliciação é onde por meio de metáforas ou técnicas busca-se atingir propriamente as mudanças esperadas.

Vale a pena lembrar que Milton Erickson não compreendia a indução como um ritual, mas, antes como uma forma de comunicação especial e atenta as peculiaridades do cliente. Para tanto, desenvolveu e aperfeiçoou vários elementos de uma comunicação eficaz como p.ex. tom de voz, truísmos, pressuposições, injunções simbólicas, dissociação, as categorias intrapsíquicas e dentre outras. Inclusive em suas últimas décadas Erickson praticamente não utilizou induções formais, mas, utilizava um diálogo hipnótico.

A comunicação é fundamental seja na indução de um transe, na imaginação ativa, ao interpretar um sonho ou mesmo para acolher o paciente de forma adequada sem elevar resistências. Devemos notar que um dos aspectos da teoria dos tipos psicológicos passa pela comunicação, isto é, compreendendo a tipologia de um indivíduo poderemos não só compreender como o indivíduo se posiciona em relação a sua realidade, mas, como podemos dialogar com o cliente de forma mais adequada. Acredito que tanto a indução formal quando hipnose como uma forma de comunicação igualmente rica que oferece a possibilidade contribuir com o processo terapêutico de nossos analisandos ou clientes.

Hipnose na Análise

A Hipnose é uma ferramenta poderosa, cuja eficácia bem conhecida na literatura. Em algumas situações a hipnose é capaz de rapidamente atingir o resultado esperado pelo paciente, seja na mudança de alguns comportamentos, seja na resolução de fobias e transtorno de ansiedade dentre outros – com resultados permanentes. A hipnose catalisa os processos inconscientes, propiciando uma elaboração simbólica que, por outro meio, poderia demorar muito mais. Quando a necessidade do indivíduo requer uma resposta a curto prazo (como p.ex, um vestibulando, uma pessoa com transtorno de pânico, ou numa situação que prejudique seu trabalho) o uso da hipnose pode ser não só bem-vindo, mas, desejável. Jung dizia que “todo procedimento é bom quando ele ajuda. Por isso aceito qualquer procedimento de sugestão(…) “A truth is truth, when it Works (uma verdade é uma verdade quando funciona”). (JUNG 1989, p. 248)

Acredito que a hipnose propicie uma relação do indivíduo com o inconsciente que, no processo analítico, pode favorecer ao processo – seja por criar uma segurança para que o ego se relacione com os conteúdos inconscientes, ou por favorecer o surgimento de imagens/símbolos a partir do transe. Penso, quando o cliente relata espontaneamente essas imagens é importante integra-las, tal qual a uma imagem de um sonho.

O uso da hipnose não é diferente do feito com técnicas expressivas (arteterapia, sandplay dentre outras técnicas). O fato mais importante é compreendermos junto com o paciente o que seria eficaz para ele. No Brasil, temos uma tendência em associar(em alguns meios “quase” identificar) a prática junguiana com as técnicas expressivas, mesmo a imaginação ativa (que discutiremos em outro texto) ocupa um espaço menor entre os junguianos.

Acredito que aproximação e diálogo entre a abordagem junguiana e a hipnoterapia seria grande proveito. Este é o primeiro texto que penso em produzir com o intuito de facilitar este dialogo e reduzir o preconceito (que ainda vejo e penso ser grande entre os psicólogos em relação a hipnose).

Em breve, penso em escrever sobre símbolos e metáforas e outros temas que contribuam com o dialogo “Jung-Erickson”

 

Referências Bibliográficas

BAUER, S. Manual de Hipnoterapia Ericksoniana, Rio de Janeiro: Wak Editora, 2010.

JUNG, Carl Gustav, Memórias Sonhos e Reflexões, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.

JUNG, C.G. Freud e a Psicanálise. Petrópolis: Vozes, 1989.

HALL, J – A experiência junguiana: análise e individuação. São Paulo, Cultrix, 1986.

SAMUELS, Andrew; SHORTER, Bani; PLAUT, Fred. Dicionário Crítico de Análise Junguiana. RJ: Imago, 1988.

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 99316-6985. /e-mail:fabriciomoraes@psicologiaanalitica.com.br/Twitter:@FabricioMoraes

www.psicologiaanalitica.com

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