Algumas palavras sobre o “Self” ou “Si-Mesmo”*

 

31 de agosto de 2010

O arquétipo do Self ou Si-mesmo é o principal arquétipo. O Self é descrito na psicologia junguiana como o arquétipo da totalidade e o centro regulador da psique. Segundo, Jung o Self “ […]não é apenas o ponto central, mas também a circunferência que engloba tanto a consciência como o inconsciente. Ele é o centro dessa totalidade, do mesmo modo que o eu é centro da consciência” (JUNG, 1994,p. 51)

O Self compreende em si a possibilidade das possibilidades humanas. Jung discutiu o Self e sua função na vida adulta, como um divisor de águas entre a primeira e a segunda metade da vida, no processo de individuação. Outros autores junguianos discutiram o Self no inicio da vida, como Michael Fordham e Erich Neumann. Neste trabalho, iremos propor um dialogo entre a compreensão de Fordham e Neumann. Pois, segundo Samuels,

é possível dizer que cada teoria é metade de um todo. Em uma visão conjunta, os modelos de Fordham e Neumann permitem que falemos de uma abordagem “junguiana” do desenvolvimento inicial com importantes diferenças de opinião(…). (SAMUELS, 1989, p.193)

Segundo Fordham, compreende que desde o inicio a criança nasce com o potencial arquetípico do Self, contudo o processo de desenvolvimento de ocorre por um processo de que ele chamou dedeintegração e reintegração.

O modelo de Fordham descreve como o Si-mesmo “de-integra-se” ou dividi-se espontaneamente em partes. Cada parte ativa ou é ativada pelo contato com o meio ambiente e posteriormente reintegra a experiência por meio do sono, da reflexão ou de outras formas de digestão mental a fim de se desenvolver e crescer. Em termos mais concretos, uma parte do Si-mesmo do bebê é energizada de dentro para lidar com uma situação externa, talvez porque esteja com fome (ele chora) ou porque o cuidador apareceu em seu campo (a mãe sorri e fala com o bebê). Este tipo de intercâmbio, que nos primeiros dias ocorre com maior freqüência entre o bebê e sua mãe ou outros cuidadores, é imbuído de uma variedade de experiências qualitativas – por exemplo, pode haver uma boa refeição, com uma mãe disposta e atenciosa, ou uma refeição perturbada, ou uma refeição na qual a mãe esteja emocionalmente ausente. A qualidade da experiência é reintegrada no Si-mesmo, com resultantes modificações na estrutura e repertório do Si-mesmo, levando assim ao desenvolvimento do Ego, já que o Ego é o “de-integrado” mais importante do Si-mesmo. (SOLOMON, 2002, p. 139-40)

De acordo com o modelo de Fordham, a partir dos estímulos que a criança vai receber, vão sendo constelados os equivalentes psíquicos/arquetípicos de recepção e reação, que vão configurar a Psique pessoal.

A evocação dos arquétipos e a correlativa liberação de desenvolvimentos psíquicos latentes não são processos apenas intrapsíquicos; eles ocorrem num campo arquetípico que abrange o dentro e o fora, e que inclui sempre, e pressupõe, um estímulo exterior- um fator proveniente do mundo. (NEUMANN, 1995, p.68)

A relação entre o mundo exterior e interior vai constelar os arquétipos necessários naquele momento. Segundo von Franz,

Cada arquétipo é um sistema energético relativamente fechado, a veia energética pela qual correm todos os aspectos do inconsciente coletivo. (…) Um arquétipo é um impulso psíquico específico que produz seus efeitos como um único raio de irradiação e, ao mesmo tempo, um campo magnético expandindo-se em todas as direções. Então, a energia psíquica de um “sistema” particular de um arquétipo está em relação com todos os arquétipos. (FRANZ, 1990, p11)

O movimento de deintegração e reintegração, ocorre durante toda a vida, sendo regido pelo Self, que “incita a este movimento para diante, e, se necessário, o realiza com força inexorável”.(NEUMANN, 2000, p.228).

Este movimento do Self, de ordenar e buscar a integração ou o desenvolvimento da Psique é chamado de processo de individuação. Jung se dedicou ao estudo do processo de individuação na meia idade onde ele pode ser percebido de forma mais clara, contudo, deve-se notar que na primeira infância este processo já se manifesta através da formação e estabelecimento do Ego. Entretanto, apesar da dinâmica e do processo de “centroversão” – como Neumann denominou – apresentar semelhanças na primeira infância e na vida adulta, não devemos considerar este como um “processo de individuação”, mas como o “processo integração do Ego”.

Ao longo da vida, o Self atua como um princípio homeostático ou regulador da Psique, no longo processo de desenvolvimento psíquico – que não se estanca com a maturidade, mas pode se desenvolver até o fim da vida.

Neumann nos chama a atenção para um ponto importante da participação do Self ao longo da vida, segundo ele

é muito útil entender uma das leis fundamentais da psique: o Self sempre se “disfarça” ou se “veste” como o arquétipo da fase para qual o progresso deve avançar. Ao mesmo tempo, o arquétipo dominante anteriormente é constelado de tal modo que seu lado “negativo” aparece. (ibid, p. 229)

Desse modo, cada constelação arquetípica e a necessidade de sua assimilação faz parte da dinâmica do Self, que se atualiza na vida individual. Assim, a neurose é um dinamismo psíquico que visa uma mudança de atitude do Ego, isto é, é uma expressão do processo de equilibração. Em outras palavras, a neurose é uma dinâmica que reflete o Self, uma vez que visa o reequilíbrio da dinâmica psíquica.

O Self é o ponto de partida do desenvolvimento do psiquismo e para onde esse desenvolvimento se dirige. No inicio o Self se apresenta como a possibilidade das possibilidades do desenvolvimento bio-psíquico humano, posteriormente, ele se manifesta como a concretização das possibilidades daquele indivíduo histórico.

* O texto deste post, foi retirado de minha monografia da especialização em “Teoria e Prática Junguiana”, denominada “ O lugar da Persona”. É um trecho do capitulo onde apresento a teoria junguiana, aqui eu fiz pequenas adaptações. Esta monografia foi orientada pela Prof. Dra. Elisabeth C.C.Mello.

Referências Bibliográficas

FRANZ, Marie-Louise von, A Interpretação dos Contos de Fada, São Paulo: Ed. Paulus , 1990.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. Petrópolis: Vozes, 3. ed. 1994.

NEUMANN, Erich História da Origem da Consciência, São Paulo: Cultrix Editora, 1995.

_______________, O Medo do Feminino – E outros ensaios sobre a psicologia feminina, São Paulo: Paulus, 2000.

SAMUELS, Andrew, Jung e os Pós-junguianos, Rio de Janeiro: Imago Ed., 1989.

SOLOMON, Herter McFarland,, A Escola Desenvolvimentista, inYOUNG-Eisendrath, Polly, DAWSON, Terence, Manual Cambrigde Para Estudos Junguianos, Porto Alegre: Artmed Editora, 2002

 

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail: fabriciomoraes@yahoo.com.br/ Twitter:@FabricioMoraes

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Algumas questões acerca de Psicoterapia e Análise

11 de agosto de 2010

Frequentemente eu tenho de responder ou melhor, esclarecer algumas questões acerca de psicoterapia e análise.  Eram dúvidas que muitas pessoas tem, mas, que não tem oportunidade de sanar. Assim, eu optei em apresentar algumas dessas questões e o que eu geralmente respondo.

1- Qual a diferença entre Psicoterapia e Análise?

De forma geral, os termos psicoterapia e análise geram um pouco de confusão. Acredito que devemos pensar um pouco na etimologia e desses termos, Psicoterapia  que vem do grego psykhé que seria alma e therapéia cuidado, atenção ou tratamento  e  análise vem do grego análusis,eōs  que seria “dissolver” que estaria relacionado ao verbo analúō, “desligar, dissolver, soltar, separar, libertar, examinar”.

A Psicoterapia não se refere a uma prática ou técnica específica, mas, sim a todo processo que  visa cuidar da saúde psíquica.

O termo  “análise”, isto é, a analise psicológica, esteve historicamente relacionado com a “Psicanálise”, muitas vezes sendo utilizada como uma abreviatura do termo. No Brasil, durante muito tempo falar em “análise” era o mesmo que se referir a psicanálise. Contudo, isso era apenas um uso comum, nada formal ou definido, o termo análise é utilizado por diferentes abordagens desde as que possuem alguma relação histórica ou metodológica com a psicanálise e com estudo do inconsciente até as abordagens sem qualquer relação histórica com a psicanálise, como a Análise Comportamental que tem sua origem na escolas americanas de estudo do comportamento.

O fato é que não há um consenso geral ou uma clara convenção sobre a definição dos termos “psicoterapia” e “análise”, dessa forma, o que encontramos geralmente é que a

psicoterapia é um processo direcionado a um objetivo claro, isto é, possui um foco determinado, por ex., um individuo quer tratar transtorno de ansiedade, por ter um objetivo estabelecido a psicoterapia tende a ter uma duração menor. Por outro lado, a

Análise é um processo que não possui necessariamente o objetivo de resolver de um conflito ou quadro psicopatológico, mas, é um processo mais profundo que visa o autoconhecimento, desenvolvimento/ amadurecimento do individuo. Dessa forma, o tempo é o tempo de cada individuo.

Tanto a psicoterapia quanto a análise podem produzir resultados igualmente positivos, o que muitas vezes denominamos de forma incerta como “cura”.

No âmbito da teoria e das conceituações, podemos fazer essas e outras distinções, mas, dentro do consultório é muito tênue a separação entre uma e outra, até porque o cliente/paciente é quem vai indicar o caminho e sua necessidade, por ex., uma psicoterapia pode se desenvolver e se tornar um processo analítico.

[Em outro post (Aspectos Gerais da Psicoterapia e Análise Junguiana – Parte I) eu apresentei uma distinção direcionado a quem estuda a psicologia analítica.]

2 – O que nos leva a procurar psicoterapia ou análise?

Não há um motivo específico para procurar a psicoterapia ou análise. Cada pessoa tem seu motivo particular para procurar a psicoterapia/analise, entretanto, devemos considerar que a nossa cultura propicia situações desfavoráveis a nossa saúde psíquica. O excesso de competição, o individualismo, a “obrigação” de estar sempre “bem”, os vários padrões que nos são impostos muitas vezes nos fazem adoecer, Jung dizia  muitos adoecem por que tentam se adaptar aos padrões coletivos (muitas vezes, de forma desesperada) outros adoecem porque se adaptaram demais a esses padrões. E se perdem nesse processo.

O grande problema é que nos acostumamos com as situações que nos fazem adoecer, nos acostumamos a sentir medo, a nos sentir inseguros, a nos sentir inferiores, nos não pensar em nos mesmos. Com o passar do tempo, acabamos sentido o peso desse sofrimento ou da falta de sentido que tomou nossas vidas – alguns sentem isso no próprio corpo através de doenças de pele, doenças gastro-instestinais. , hipertensão, fibromialgia – que são doenças intimamente ligadas a nossa dinâmica psíquica ou como dizemos popularmente ao nosso estado emocional; por outro lado, algumas pessoas desenvolvem transtornos propriamente psicológicos como transtornos de ansiedade (o medo de ter medo) e depressão que são males de mais assolam as pessoas. Infelizmente, a grande maioria só procura auxílio profissional quando os problemas crescem e se tornam insuportáveis. Muitas acham que é fraqueza pedir ajuda, mas, não percebem o quanto de coragem é necessária para reconhecer que precisamos de ajuda.

Há ainda um terceiro grupo que não busca psicoterapia por problemas de adaptação ou por algum quadro patológico, esse terceiro grupo são de pessoas que estão atentas ao que acontecem em si mesmas, e querem compreender mais acerca de si, o porque de suas escolhas, enfim buscam o autoconhecimento necessário para uma vida saudável (no sentido mais pleno da palavra).  Outras, percebem que algo está faltando em sua vida, às vezes, um vazio que não conseguem compreender, pois, afinal, “tudo parece estar tão certo”, e através desse incomodo as pessoas buscam a psicoterapia/análise para compreender o que pode estar faltando onde, aparentemente, nada falta.

Muitos são os motivos para se buscar terapia, apenas citei alguns fatores que frequentemente vemos:  a dificuldade de adaptação e relacionamento (questões familiares), por questões de doença ou transtornos diagnosticados, por autoconhecimento, por desenvolvimento pessoal.

Assim, é um erro pensar que apenas quem está “doente” busca psicoterapia/análise. A psicoterapia/análise é antes de mais nada um cuidado pessoal. Um espaço protegido onde a pessoa pode ser ela mesma, e assim, avaliar suas escolhas e ações, para compreender o caminho que percorreu e poder escolher melhor caminho que irá percorrer.

3 – Remédios ou Psicoterapia/análise?

Muitas pessoas, antes de procurar ao psicólogo, já passou por vários médicos que receitaram vários remédios(muitos também indicaram a necessidade da psicoterapia), a grande parte dessas pessoas acabam se questionando se ficam apenas com os remédios ou procuram também a psicoterapia/análise. Para essa pergunta “remédios ou psicoterapia?” Acredito que a resposta mais adequada e proveitosa a essa questão é: Remédio e Psicoterapia.

Muitos tem preconceitos ou com a medicação ou com a psicoterapia, entretanto, devemos compreender que o o remédio sozinho não faz milagres, ele ajuda ao individuo ter a estabilidade necessária para enfrentar os fatores que causaram seu adoecimento. Entretanto, se o individuo não faz o que é necessário para resolver “causas”, em algum tempo, o remédio pode  diminuir sua efetividade ou mesmo, o tratamento medicamentoso pode ser um sucesso, mas, algum tempo após a retirada da medicação o individuo recai.

Eu gostaria de frisar que alguns indivíduos podem obter resultado satisfatório e permanente com a medicação, podendo, segundo orientação médica, parar com os medicamentos. Mas, infelizmente, o que podemos perceber –apesar   de não termos números sobre o tema– é  poucos que obtém esse resultado.  Na maioria das vezes, o que observamos são pessoas que restabelecem a sua capacidade de suportar as situações causadoras de seu sofrimento. Elas aparentam saúde, mas, vivem  infelizes.

Por outro lado, em algumas situações a psicoterapia obtém resultado melhor quando aliada a medicação, pois, o individuo terá maiores possibilidades de enfrentar sua realidade e efetuar as mudanças necessárias. Em várias situações a parceria entre psicólogo e médico(especialmente psiquiatra) é fundamental.

4 – Que profissional procurar?

A psicoterapia ou análise não é uma atividade restrita a uma única categoria profissional.  Assim, independente da abordagem que o profissional siga (se junguiano, psicanalista, rogeriano, comportamental, corporal etc…) o importante é ter em mente qual a formação de profissional. No Brasil, as abordagens mais consolidadas restringem a formação clinica a psicólogos e médicos. Devemos notar que os profissionais devem estar inscritos em seu conselho de classe(CRP ou CRM). Isto é importante pois, essas profissões são legalmente instituídas no Brasil, possuem código de ética o que oferece uma proteção ao cliente.

Caso o cliente se sinta lesado ou ocorra algum tipo de abuso por parte do profissional, o cliente poderá recorrer ao conselho de classe e prestar denuncia contra o profissional, que poderá inclusive o direito de exercer a profissão.

Muitos profissionais apresentam credenciais de  conselhos de “Psicanálise” ou “Conselho de Terapeutas”, que são instituições que não existem legalmente (isto é, não foi constituído por lei federal), não existe nenhum “Conselho Federal de Psicanálise” nem “Conselho Federal de Terapia”, isso considerando que muitas terapias não existem como profissões regulamentadas, ou seja, não há nada que regulamente ou proteja a pessoa atendida. Em caso da pessoa se sentir lesada, deverá procurar o ministério público.

Assim, eu sugiro sempre que procurarem um profissional verifiquem se é psicólogo e se está inscrito no conselho regional de psicologia.

Caso você queira conhecer mais da psicoterapia/analise na abordagem junguiana visite o post Aspectos Gerais da Psicoterapia e Análise Junguiana – Parte I

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

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Alguns comentários sobre o conceito de “Compensação”

 

9 de agosto agosto de 2010

O termo “compensação” é muito utilizado no entre os junguianos, constituindo um dos principais conceitos relacionados a dinâmica psíquica. Por isso, devemos nos deter um pouco sobre esse conceito.

Uma “herança” Adleriana

Em vários pontos de sua obra, Jung, faz referências a Alfred Adler e de sua importância para o desenvolvimento tanto da psicologia analítica quanto para psicologia contemporânea. Infelizmente, no Brasil não temos contato com o pensamento adleriano, isto é, com a Psicologia Individual.

Jung se referia a Adler como um dos primeiros e  mais brilhantes discípulos de Freud, Adler se destacou no grupo psicanalítico de Viena por questionar a etiologia sexual das neuroses. Os primeiros estudos de Adler, o levaram o conceito de “inferioridades orgânicas”, que propunha que assim como quando algum órgão apresenta alguma deficiência, o organismo tenta “repará-la” pelo funcionamento de outro órgão ou sistema, como por exemplo, indivíduos cegos que desenvolveriam um tato e audição mais apurados, para reparar (ou compensar) essa “inferioridade orgânica”.

A proposta inicial de Adler era que as neuroses se originariam de uma tentativa de reparação a essas “inferioridades orgânicas”. Posteriormente, Adler ampliou seus estudos acerca das inferioridades, para o seu aspecto psicológico, que seria um “sentimento de inferioridade”, que foi compreendido e designado como um “complexo de inferioridade”.

Adler apontava que havia um mecanismo natural de reparação ou compensação as “inferioridades”, a história estaria repleta de indivíduos que compensaram sua inferioridade orgânica, como Demóstenes que apesar de ser gago se tornou um dos maiores oradores gregos, ou Napoleão Bonaparte, que apesar de sua baixa estatura se tornou um grande general. Assim, a compensação teria um objetivo no desenvolvimento e adaptação do individuo.  Quando a compensação era insuficiente se instauraria a neurose. Adler focou sua teoria nas relações sociais, de poder e  adaptação social, sugerindo que o impulso ou busca pela superioridade – isto é, compensação da inferioridade – seria  o principal objetivo da vida. A ênfase de Adler nos processos de adaptação relacionados aos interesses sociais, fez com que o conceito de inconsciente e os conflitos intrapsíquicos perdessem espaço em sua teoria.

Duas contribuições de Adler foram a respeito da finalidade dos fenômenos psíquicos( teleologia) e a respeito da compensação. Apesar dessas contribuições, o caminho que Adler e Jung seguiram no desenvolvimento desses conceitos foram bem distintos. Mesmo assim, Jung frequentemente rendia tributos a importância dos trabalhos de Adler.

Apesar de reconhecer as contribuições de Adler, Jung compreendia que o pensamento adleriano sofria do mesmo mal que a psicanálise que ele combatia, a unilateralidade. Assim como Freud restringia seu pensamento a sexualidade, Adler focou sua teoria na questão do poder.

A “compensação” em Jung

Jung compreendeu que a compensação não estaria restrito nem  a sexualidade nem a vontade de poder.  A compensação é a expressão mais própria da auto-regulação psíquica. Isto é, uma forma do inconsciente se relacionar com a consciência de modo a promover a manutenção da saúde psíquica. Acerca do conceito de compensação Jung afirma que,

considero-o em geral como equilibração funcional, como auto-regulação do aparelho psíquico. Nesse sentido, considero a atividade do inconsciente como equilibração da unilateralidade da atitude geral, causada pela função da consciência. (JUNG, 1991, p. 399)

Via de regra, a compensação pelo inconsciente não é um contraste, mas uma equilibração ou complementação da orientação consciente. O inconsciente dá, por exemplo, no sonho, todos os conteúdos constelados para a situação consciente, mas inibidos pela seleção consciente, cujo conhecimento seria indispensável para a consciência se adaptar plenamente.

Em situação normal, a compensação é inconsciente, isto é, atua de forma inconscientemente reguladora sobra a atividade consciente. Na neurose, o inconsciente está em contraste tão forte com a consciência que a compensação fica prejudicada. Por isso a terapia analítica procura um conscientização de conteúdos inconscientes para restabelecer a compensação. (JUNG, 1991, p.400)

É importante termos cuidado para não confundirmos compensação com substituição. A compensação é uma dinâmica natural que é visa o equilíbrio energético do psiquismo, muitas vezes, a compensação aponta para as deficiências do ego, de modo, a naturalmente reorientar a atitude da consciência. A compensação impele o individuo ao enfrentamento do inconsciente, de sua realidade psíquica, promovendo o desenvolvimento do individuo. Por exemplo,um individuo que está numa atitude rígida querendo comprar um notebook a todo custo, mesmo sabendo que financeiramente não é o momento adequado, briga com a esposa, enfim, cristaliza-se em uma decisão de comprar o notebook independente da sua necessidade e possibilidade. A noite ele sonha que andava por uma rua com um notebook, quando é rendido por assaltantes, que tomam dele o notebook e atiram nele. O individuo acorda assustado, repensando a compra do notebook. A compensação não serve ao Ego, mas, sim a totalidade psíquica.

Por outro lado, a substituição é um mecanismo de defesa do Ego, que visa proteger e manter a integridade do mesmo. No caso da substituição, quando o Ego é privado ou não possa possuir de um objeto de desejo, o afeto que era destinado a esse objeto é deslocado inconscientemente para outro objeto, que geralmente se assemelha com o objeto anterior. Um exemplo, um individuo que via no trabalho sua razão de viver, se aposenta. Após alguns dias de instabilidade e começa a se dedicar a participar das atividades de sua igreja. Nesse caso, a substituição do trabalho pelas atividades da igreja, visa diminuir a ansiedade/frustração do Ego, permitindo a elaboração do luto em relação perda da função que exercia.

É através das manifestações da compensação é que podemos compreender a dinâmica psíquica.

Referencias bibliográficas:

JUNG, C.G. Tipos Psicológicos, Vozes, Petrópolis, 1991.

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

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Algumas Notas sobre “Medo” e “Ansiedade”

 

(2 de agosto de 2010)

O medo e a ansiedade são duas palavras que fazem parte de nossas vidas. Na medida que nosso cultura se vê assolada pelo terror, que se manifesta com diferentes faces, como o assalto repentino, o fantasma do desemprego, a violência doméstica,  o abuso do poder, epidemias, desastres naturais, ataques terroristas, dentre outras, torna nossa cultura uma cultura do medo(e da ansiedade). Em nosso dia a dia, somos bombardeados por esse terror nas várias as formas de mídia, entretanto, a cultura impõe que devemos enfrentar o medo e ansiedade a todo custo, como se todo medo e a ansiedade fosse patológico.

Essa patologização do medo/ansiedade junto com o excesso de informação duvidosa que circula na internet agrava o problema, pois, muitas pessoas se identificam com os relatos e acabam por ficar mais ansiosas achar que tem algum transtorno, quando na verdade pode estar em um nível de ansiedade dentro da normalidade. (Eu chamo de “normal” ou de “normalidade” uma ansiedade que corresponda a realidade ou ao estresse que o individuo de fato atravessa.)

Nesse contexto, é importante percebermos que ansiedade e o medo são funções naturais do psiquismo, intimamente relacionados a uma função de preservação da vida, por meio de ambos, evitamos ou nos preparamos melhor para situações de pode representar risco a integridade tanto física quanto psíquica do individuo. Mas, qual a diferença entre eles?

Ansiedade, Angustia e Medo

Percebemos o  Medo como uma reação  a um objeto bem definido que represente um risco real ou imaginário ao individuo. Frente a essa situação automaticamente o individuo produzirá a resposta de medo que prepara o individuo para lutar ou fugir, que podemos perceberemos em nosso corpo como  taquicardia, suores, alteração respiratória dentre outras. Para ilustrar, podemos imaginar uma pessoa está andando por uma rua estreita quando se depara com um pit bull sem coleira, a resposta imediata é o medo.

Por outro lado, percebemos a ansiedade é uma reação semelhante ao medo, contudo não há uma definição do objeto. Por exemplo, um individuo passa por uma rua, onde ele ouviu dizer que ronda um pitbull, mesmo sem ver o cão, seu organismo emite um sinal(ou reação) de alerta para o  “possível” encontro, o corpo já entra em estado de estresse mesmo se ocorrer o encontro.  A ansiedade não possui um objeto claro, é um medo sem foco, o que faz com que seja persistente.

Tanto no medo quanto na ansiedade as sensações corporais(cansaço, insônia, sensação de sufoco, tensão muscular, tremores, dificuldade de se alimentar, taquicardia/palpitações, por exemplo) e psicológicas (pensamentos de inferioridade, a crença que não vai “dar conta”, fantasias de que “tudo vai dar errado”, ou que vai ser insultado, abandonado pelos amigos,  superdimensionado os problemas, por exemplo) se tornam freqüentes ou mesmo  permanentes. O que gera uma série de problemas físicos(doenças)  e sociais para o individuo.

Por outro lado, temos ainda o termo angústia, que muitas vezes, gera alguma confusão.

Tal problema não se coloca – ou pelo menos não é tão agudo – no inglês e no alemão e nas línguas a estas aparentadas. Pichot lembra que os termos latinos correspondentes à angustia e à ansiedade derivam do verbo grego agkhô: eu aperto, eu estreito. Dele, surgem, no latim, os verbos ango e anxio, que significam respectivamente aperto, constrição física e tormento. (…) No português, como no francês e nas linguas românticas em geral, surgem dois termos técnicos : “angustia” e “ansiedade”. Em inglês, tem-se apenas anxiety(o termoanguish tem uso quase exclusivamente literário, sem significação técnica); no alemão, aparece apenas Angst, do qual deriva o adjetivo ängstlich. (PEREIRA, 2003, p.87)

Durante algum tempo, tentou-se convencionar angústia para os sintomas físicos e a ansiedade para os sintomas psicológicos.  Mas, por fim concluiu-se que não dá para fazer esta separação, de modo que a psiquiatria/psicologia passou a considerar ansiedade e angústia como sinônimos.  

Medo, Ansiedade, Complexos

O medo e ansiedade se manifestam como uma defesa a um risco em potencial ao Ego.  Esse risco pode ser um risco externo e objetivo (uma longa viagem, p. ex.) ou uma ameaça interna e subjetiva (pensamentos obsessivos). No modelo junguiano da psique, o Ego é o mais importante dos complexos, que atua mediando as relações do individuo com o meio externo,  sendo o centro da consciência. Duas características que distinguem o Ego dos demais complexos são a sua energia psíquica diferenciada e sua capacidade de auto-reconhecimento.

A energia diferenciada do Ego permite que o mesmo crie um “campo de referencia” em torno de si, isto é, um campo energético que funciona como uma “membrana semipermeável” que permite a relação do Ego com conteúdos que lhe são próprios e salutares como elementos de identidade e conteúdos externos direcionados ao Ego e símbolos; e repele conteúdos que apresentem algum risco ao Ego como conteúdos do inconsciente ou mesmo do meio externo, essa função protetora é justamente desempenhada pelos mecanismos defesa que foram descritos por Freud.

O autorreconhecimento é a capacidade de se remeter a si mesmo. O Ego é o único complexo capaz se reconhecer como algo distinto tanto dos conteúdos psíquicos quanto do mundo externo. Reunindo, assim, as características imediatas do indivíduo que chamamos de identidade, isto é, a possibilidade de diferenciar entre “o que me pertence” e o que “não me pertence” ou do que “sou” ou “não-sou”.

De forma geral, o Ego possui duas fontes de referência que permitem que ele se adapte e enfrente as situações são elas: os complexos e a persona.

Os complexos podem ser compreendidos como um conjunto de representações (idéias, lembranças) unidas por uma forte carga afetiva/energética. Na dinâmica psíquica, os complexos funcionam aglutinando as memórias, percepções etc.  em torno de um núcleo arquetípico comum.

Podemos dizer que um complexo funciona como um magneto, que atrai vivências similares, relacionadas a situações arquetípicas. No complexo materno, por exemplo, as vivências se relacionam com a experiência e a imagem da mãe. (SAIANI, 2000, p.51)

Os complexos possuem um caráter dinâmico e histórico, que agrega as informações acerca da história pessoal do individuo, disponibilizando-as ao servir ao Ego, essas referencias são necessárias a enfrentar as vicissitudes da vida. Entretanto, como foi dito, os complexos são estruturas dinâmicas, isto é, são dotados de uma certa autonomia,  que só os percebemos quando estes estão em “descompasso” com a dinâmica psíquicada consciência, ou seja, estão dissociados da estrutura psíquica, atuando de forma independente e, às vezes, contraria ao Ego. Segundo Jung, são dotados

(…) de poderosa coerência interior e tem sua totalidade própria e goza de um grau relativamente elevado deautonomia, vale dizer: está sujeita ao controle das disposições da consciência até um certo limite, e, por isto, se comporta, na esfera do consciente, como um corpus alienum [corpo estranho], animado e de vida própria. (…)

Regra geral, há uma inconsciência pronunciada a respeito dos complexos e isto naturalmente lhes confere uma liberdade ainda maior. Em tais casos, a sua força de assimilação se revela de modo todo particular, porque a inconsciência do complexo ajuda a assimilar inclusive o eu, resultando daí numa modificação momentânea e inconsciente da Personalidade, chamada identificaçãocom o complexo. (JUNG, 2000b, p. 31-3)

Dependendo da capacidade do Ego em lidar com a com o inconsciente/complexos poderá ou não se instaurar para o desenvolvimento de uma patologia. Considerando um individuo com uma estruturação egóica saudável (isto é, que não psicótico ou limítrofe) os complexos podem gerar ansiedade por duas vias distintas:

1 – Unilateralidade da Consciência: A psicologia analítica compreende que a unilateralidade da consciência uma atitude do Ego voltada unicamente para o mundo exterior. Na medida que o Ego se identifica com os valores do mundo exterior, ignorando as necessidades interiores, o inconsciente age de forma compensatória de modo a reorganizar/equilibrar a relação entre a consciência e o inconsciente. Nesse processo o inconsciente pode se manifestar através de sonhos (pesadelos), pensamentos obsessivos,  visões, atos falhos, esquecimentos, somatizações. Todas essas manifestações tendem a prejudicar a adaptação do Ego e a realidade exterior, quanto maior for as tentativas do Ego negar, ou se defender dessas manifestações do inconsciente, maior serão as reações contrarias do inconsciente, gerando o sentimento de ansiedade/angústia.

O ego tende a reconhecer o inconsciente como algo grande e poderoso que se impõe, esse grande desconhecido ameaçador chamamos de Sombra. Essas reações são naturais, correspondendo ao principio de entropia, onde a dinâmica psíquica se desenvolve em busca de um equilibro sistema psíquico.  A unilateralidade da consciência corresponde sobretudo a uma relação inadequada com o mundo interno, gerando uma situação neurótica.

2 –  Experiências vividas: Esse segundo aspecto não corresponde necessariamente a uma atitude patológica ou neurótica. Por um lado, muitas pessoas desenvolvem ansiedade ou são “medrosas” simplesmente porque aprenderam assim. Muitos pais excedem em sua proteção e cuidado privando os filhos de experiências que vão se possibilitar o desenvolvimento da auto-segurança dos filhos. assim, os filhos se tornam inseguros e aprendem a temer o mundo. Essainsegurança pode se mascarar através de relações de dependência (seja dos pais, dos amigos, namorada), muitas vezes a ansiedade só se manifesta quando eles se percebem numa situação que depende deles. Toda vez que individuo se vê numa dada situação ele não possui referências de enfrentamento, nesse caso, seu complexo de poder se manifestará pela a inferioridade, indicando que o individuo “não é capaz” ou “não dá conta” de enfrentar as adversidades. Impondo sempre a mesma resposta de evitação e fuga. A ansiedade é uma expressão desse “despreparo” frente a vida.

Patologia e Psicoterapia

Na grande maioria das vezes, nos grande parte das pessoas tentam conviver com a ansiedade, vivendo num estado de apreensão constante, buscando nos antecipar em tudo, se prevenindo todas as formas contra a possibilidade de um futuro negativo ou mergulhados em insegurança e dúvidas, se apoiando em pessoas próximas.

Como dissemos no inicio, a nossa cultura ou nossa vida cotidiana propiciam o medo e a ansiedade. O problema se agrava por nossa cultura não nos oferecer os elementos necessários para enfrentarmos essa ansiedade. A ansiedade se torna patológica quando há uma perda de controle, isto é, a ansiedade passa a dominar a vida. O individuo perde a liberdade se tornando escravo da ansiedade ou do medo.

As principais formas de transtornos de ansiedade  são:

Transtorno de Ansiedade Generalizada : Se caracteriza, basicamente, pelo excesso de preocupação com as diversas situações da vida. No geral, a preocupação é desproporcional a realidade do problema. Isso gera uma série de sintomas físicos como tensão e dores musculares; boca seca; suor excessivo; náusea e diarréia; freqüência urinária aumentada; dificuldade para engolir dentre outros; e psíquicos como inquietação, irritabilidade, nervosismo,  falta de concentração dentre outros.

Síndrome do Pânico:Se caracteriza por ataques(ou crises de pânico), que é um estado/periodo extrema ansiedade, que se manifestam de forma repentina.Alguns sintomas presentes no ataque tremores, calafrios,  despersonalização, confusão, dificuldade em respirar, palpitações do coração, sensação de morte iminente,  tontura. Uma crise não caracteriza a síndrome.

Transtorno Obsessivo-compulsivo: Se caracteriza pela presença de obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, idéias ou imagens que invadem o individuo. Geralmente, esses pensamentos/idéias/imagens são relacionados a situações ruins (doenças, contaminação, dúvidas, agressividade, dentre outras), que geram ansiedade. Essas obsessões, tendem a gerar as compulsões que são comportamentos/ações repetitivos (como lavar as mãos, ordenar, verificar, rezar, dentre outras)  e excessivos. As compulsões tem como objetivo aliviar a ansiedade e evitar as obsessões. As compulsões podem ou não ter uma relação lógica com as obsessões.  

Fobia Social: Se caracteriza por um extremo desconforto em situações sociais e um excesso de preocupação com o julgamento dos outros(que imagina que sempre será negativo). Isso faz com que o individuo se esquive de situações comuns como beber, ler, conversar em público.

Fobias específicas: Se caracteriza por uma reação de extremo medo a determinados objetos, animais/insetos e situações. O individuo sabe que sua reação é excessiva, mas, não consegue controlar. 

Estresse Pós-traumático: Esse transtorno ocorre como conseqüência de uma situação que ofereceu um risco a integridade física ou a vida do individuo(como violência física/sexual, assaltos, acidentes). Alguns dos sintomas são: ansiedade/temor que o evento se repita; reexperimentação do evento traumático (como lembranças, pesadelos); irritabilidade, dificuldade em se concentrar, distúrbios do sono,

A terapia junguiana não tem por finalidade “apagar” ou “ignorar” as experiências passadas do individuo, mas, possibilitar que o individuo  se afirme frente a doença, para que enfrente tanto os aspectos históricos que contribuíram para o desenvolvimento da doença quanto os fatores que mantém que a ansiedade na atualidade. De modo a favorecer que o individuo se permita novas experiências, criando novos parâmetros  que possibilitem que ele enfrente o futuro, para que seja desenvolvido a segurança necessária para uma vida saudável.

A psicoterapia  compreende tanto um processo de auto-conhecimento, de avaliação das escolhas feitas, dos caminhos que levaram ao desenvolvimento do transtorno quanto um processo prático de aprendizado do enfrentamento da ansiedade(e da própria vida), do modo a iniciar de uma nova relação consigo mesmo e com o mundo.

REFERÊNCIAS

PEREIRA, M.E.C. PSICOPATOLOGIA DOS ATAQUES DE PÂNICO, Editora Escuta: São Paulo, 2003.

JUNG, C.G. O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE, Vozes: Petrópolis, 2006

______________. A Natureza da Psique. Petrópolis: Vozes, 5. Ed. 2000b.

SAIANI, C. Jung e a Educação: Uma análise da relação professor/aluno. São Paulo: Escrituras, 2000.

 

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Fabricio Fonseca Moraes (CRP 16/1257)

Psicólogo Clínico de Orientação Junguiana, Especialista em Teoria e Prática Junguiana(UVA/RJ), Especialista em Psicologia Clínica e da Família (Saberes, ES). Membro da International Association for Jungian Studies(IAJS). Formação em Hipnose Ericksoniana(Em curso). Coordenador do “Grupo Aion – Estudos Junguianos”  Atua em consultório particular em Vitória desde 2003.

Contato: 27 – 9316-6985. /e-mail: fabriciomoraes@yahoo.com.br/ Twitter:@FabricioMoraes

www.psicologiaanalitica.com

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